Mais do que praticamente garantir a passagem do Palmeiras para as quartas de final da Libertadores de 2025, o expressivo resultado obtido em Lima carrega uma mensagem clara: Abel Ferreira merece todo respeito e não pode jamais ser chamado de “burro” pela própria torcida por causa de uma derrota para um rival. O equívoco pontual, naquele episódio contra o Ceará por causa da derrota para o Corinthians, quase minou uma relação construída ao longo de cinco anos de entrega, profissionalismo e muitos — repito, muitos — títulos.

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É preciso fazer essa ressalva porque há mérito do treinador na avassaladora vitória por 4 a 0 sobre o Universitário no Monumental de Lima. Os traços de seu trabalho são visíveis em cada detalhe. Vimos um time que sabe o que faz, que joga fora até melhor do que no Allianz, livre da pressão e das cobranças injustas de parte da torcida. Não por acaso, mais uma vez o Palmeiras chega ao mata-mata com a melhor campanha da fase de grupos.

Maurício festeja com a dupla que se formou no Palmeiras entre Flaco López e Vitor Roque: 4 a 0 no Universitario / Palmeiras

Mas o ponto mais simbólico da noite foi a coragem — e a humildade — de Abel em finalmente se convencer de que era possível escalar Vitor Roque e Flaco López juntos desde o início. Ele até resistiu por um tempo, preferindo manter Facundo Torres aberto na ponta, mas acabou cedendo. E isso mostra grandeza. Num momento em que o time precisava dar uma resposta aos críticos, Abel não se fez de rogado e atendeu a um clamor que vinha de analistas e torcedores. Tudo bem que ele é avesso a críticas, e às vezes até se acha superior, mas é inegável que sabe muito de bola E que é, de longe, o maior técnico da história do Alviverde.

Juntos desde o jardim de infância

E assim a noite de Lima foi palco para mais uma história de encantamento. De repente, parecia que Flaco e Vitor Roque jogavam juntos desde o jardim de infância, tal a forma como se entendiam e se completavam como se fossem a corda e a caçamba. Quem diria!?!

Encaixamos muito bem. Foi a primeira vez que jogamos juntos desde o começo. Deu super certo. Flaco é um jogador incrível. Com dois é mais fácil. Ele me ajudou e eu pude ajudá-lo também.
VITOR ROQUE

Logo aos 3 minutos, Vitor Roque foi agarrado na área — pênalti, convertido por Gustavo Gómez, outro gigante a serviço de Abel. Aos 12, Vitor e Flaco tabelaram com perfeição e o argentino bateu de esquerda para fazer 2 a 0. Minutos depois, Vitor Roque perdeu chance clara após falha bisonha da defesa, mas se redimiu aos 31: recebeu de Piquerez e finalizou com classe e raiva para marcar o terceiro. Um primeiro tempo que resume muito sobre este Palmeiras e sobre seu comandante — que de “burro” não tem nada.

É mais fácil jogar para mim com outro centroavante. Hoje deu muito certo. Vamos ver o que o treinador acha. Vamos dar muitas alegrias e continuar trabalhando.
FLACO

No segundo tempo, o Palmeiras mostrou serenidade para defender o que construiu e ainda ampliar o placar com mais um gol de Flaco, aos 32. Goleada. Quando o apito final ecoou no Monumental de Lima, havia a reafirmação de um projeto, a confirmação de um comando e a lembrança de que o respeito é inegociável. E ainda a certeza de que a dupla Flaco Lopez/Vitor Roque não é mais só um delírio de torcedor.

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