O drama do goleiro Cássio é o mesmo de centenas ou milhares de pais e mães que tentam matricular seus filhos autistas ou com qualquer dificuldade de aprendizado que não esteja no espectro comum de uma criança. O jogador do Cruzeiro relatou sua peregrinação nas escolas de Belo Horizonte, onde mora, e as tantas portas fechadas que encontrou para matricular Maria Luiza no ano letivo. Sua filha tem sete anos.

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Segundo o jogador, as recusas vieram de escolas que se “vendiam” como inclusivas. Uma escola inclusiva é aquela que encontra caminhos e estratégias para o ensino e transforma o seu ambiente a fim de receber e abraçar todos os tipos de alunos, suas facilidades e dificuldades e, o mais importante, no ritmo de cada um.

‘É de cortar o coração’

É uma missão. Mas nem todas conseguem entregar esse tipo de aprendizado. Essas escolas são moldadas para atender todas as demandas dos alunos, mesmo as públicas, com menor recurso e mais crianças.

Cássio, goleiro do Cruzeiro, levanta uma bandeira pela inclusão de crianças autistas nas escolas sem restrições / Cruzeiro

Cássio disse que as escolas que recusaram sua filha (é inadmissível ouvir um “não” para isso) não aprovaram a figura do acompanhante, um tutor, que ajudaria os professores na tarefa do aprendizado do dia a dia. Uma criança autista aprende de tudo, mas no seu tempo e atenção. O goleiro do Cruzeiro se valeu das redes sociais para fazer a sua reclamação. Maria Luiza foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Tenho tentado matricular minha filha em diferentes escolas, mas a resposta quase sempre é a mesma: ela não é aceita. O mais triste é ouvir isso justamente de escolas que dizem aceitar todos os tipos de crianças. A realidade, no entanto, é bem diferente. Se não fosse por uma única escola ter aceitado minha filha, ela simplesmente não teria como estudar em Belo Horizonte. CÁSSIO

De modo que Cássio levantou uma bandeira importante sobre o assunto: a necessidade de uma aplicação prática das políticas públicas de inclusão. Conhecido no Brasil por causa de sua profissão (ele atuou 12 anos no Corinthians antes de se transferir para o Cruzeiro), o jogador pode ser uma voz importante ao tema. Mas já há uma lei no país que garante o direito de crianças com TEA ao acompanhamento especializado e todas as adaptações necessárias para o seu aprendizado nas escolas. The Football se solidariza com o goleiro do Cruzeiro.

Como pai, ver sua filha rejeitada simplesmente por ser autista é algo que corta o coração. Inclusão não é só uma palavra bonita em propaganda, é atitude. E ainda estamos muito longe de viver isso de verdade.
CÁSSIO

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