Uma derrota que dói. Ainda mais porque foi injusta. O placar não traduz o que foi o jogo.
O lamento do goleiro Rafael, ao fim do 2 a 0 da LDU sobre o São Paulo, nesta quinta-feira, em Quito, talvez seja a síntese mais fiel do que aconteceu no primeiro duelo pelas quartas de final da Libertadores. A vantagem de dois gols é pesada demais, castigo desproporcional ao futebol que se viu no Monumental Casa Blanca.
O São Paulo acumulava uma sequência de 17 partidas seguidas sem derrotas na Libertadores, já que na última edição foi eliminado na fase de quartas de final depois de dois empates e uma queda nas penalidades. O Tricolor não perdia no torneio havia 17 jogos. Mais precisamente desde 4 de abril de 2024, quando foi derrotado pelo Talleres. De lá para cá, somava nove vitórias e oito empates.

O roteiro da partida reforça essa sensação de que o placar foi injusto. O São Paulo começou com uma estratégia inteligente: cadenciar o ritmo, tocar a bola, administrar o desgaste da altitude. Era dono do jogo quando, aos 14 minutos, levou um golpe inesperado. Numa bola esticada pelo zagueiro Allala, Bryan Ramirez apareceu nas costas de Cedric e abriu o placar. Um lance isolado, que quebrou o plano tricolor.
Segundo tempo foi um castigo
No segundo tempo, a história se repetiu em moldes ainda mais cruéis. O São Paulo era claramente superior, já rondava o gol de empate, quando uma falha na saída de bola aos 33 minutos entregou o segundo gol ao adversário, num chute de Estrada, que havia acabado de entrar. Castigo duro para quem era melhor em campo naquele momento.
É inegável o mérito da LDU: soube aproveitar quase metade das chances reais que criou. Mas a diferença de 2 a 0 não reflete a partida. Crespo tentou reagir, soltando o time com as entradas de Ferreirinha e Rodriguinho, e o tricolor criou inúmeras oportunidades para marcar. Faltou apenas a precisão na definição — a mesma eficiência que sobrou do outro lado.
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É bem verdade que o drama poderia ter sido maior. Já nos acréscimos, Arboleda falhou em uma disputa com Estrada, que saiu cara a cara com Rafael. Ali parecia a pá de cal, mas o goleiro fez um milagre e evitou o terceiro gol que praticamente eliminaria o São Paulo. Esse lance mantém a porta entreaberta. O São Paulo vai precisar ser, mais uma vez, o clube da fé.
Tem de ter fé
Mais do que isso: mostrar por que é tricampeão da Libertadores, por que tem camisa e história suficientes para desafiar estatísticas e circunstâncias adversas. É verdade que a missão ficou difícil. Mas não impossível. Resta acreditar — e, sobretudo, contar com a força da torcida no Morumbi, que será decisiva para transformar a chama da esperança em combustível para a virada.





