O Palmeiras está seguro de que não abandonou a Academia 2 de Guarulhos, onde o clube desenvolve sua categoria de base, e de onde saíram duas revelações recentes que atualmente jogam na Europa: Endrick e Estêvão. O processo, cuja sentença em primeira instância pediu o fechamento do local e a devolução do terreno de 45 mil metros quadrados, é de 2012. Portanto, a denúncia de contrapartidas à doação do local tem 13 anos. A ação é movida pelo Ministério Público.

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Nesse período, o Palmeiras modificou toda a estrutura do seu centro de treinamento de base. O processo na Justiça é de antes da presidente Leila Pereira, e de antes também de Maurício Galiotte. O clube é acusado de não conservar o local e suas imediações no Parque Ecológico do Tietê. O terreno foi doado ao Palmeiras pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

Endrick foi formado nas categorias de base do Palmeiras na Academia 2: hoje ele é do Real Madrid / Palmeiras

Após mais de dez anos, a Academia 2 foi totalmente reformulada. O Palmeiras passou a ser referência na formação de atletas e a amealhar títulos em todas as categorias. Mais recentemente, o clube virou uma máquina de forjar jogadores para o time de Abel Ferreira e também para o mercado internacional.

Endrick e Estêvão 

O treinador português já comandou quatro reformulações do elenco, sempre valendo-se dos garotos da base. Abel ficou encantado com Estêvão antes de perdê-lo para o Chelsea, da Inglaterra. Também trabalhou com Endrick. 

A base do Palmeiras virou uma máquina de fazer dinheiro. No ano passado, o clube levantou mais de R$ 1 bilhão com a venda de atletas recém-formados. Em alguns contratos, o clube manteve parte dos direitos federativos dos jogadores, de modo a lucrar com eles em caso de uma segunda negociação dentro da Europa. O clube também recebe pelas metas alcançadas pelos atletas negociados. 

O Palmeiras sempre prezou pelo respeito às instituições e seguirá trabalhando para proporcionar as melhores condições de treinamento e instalações às suas categorias de base. O clube recorrerá da decisão tomada em primeira instância.
Nota oficial do Palmeiras 

O departamento jurídico do Palmeiras tem toda a documentação de que precisa para recorrer da decisão. Há outras instâncias antes da decisão final. O local foi doado para o Palmeiras por 50 anos.

NOTA OFICIAL DO PALMEIRAS

A Sociedade Esportiva Palmeiras vem a público manifestar estranhamento e indignação diante da decisão proferida pela 1ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos (SP), em ação ajuizada em 2012 pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que determina, entre outras providências, a demolição da Academia de Futebol 2, localizada no Parque Ecológico do Tietê. Tal medida, tomada em primeira instância, revela-se desproporcional e extrema, além de desprezar o papel social e esportivo desempenhado pelo clube.

A sentença parte de premissa equivocada, pois desconsidera que a efetiva área ocupada pelo Palmeiras é de 63.632,68 m², em vez dos 150.000 m² mencionados, o que leva à indevida atribuição de responsabilidade ao clube por intervenções ocorridas fora do perímetro concedido. Ignora, também, que o terreno foi entregue ao Palmeiras em acentuado estado de degradação e que os trabalhos realizados ao longo dos anos contribuíram para a sua recuperação.

Os autos demonstram, aliás, que o clube cumpriu todas as obrigações estabelecidas pelo TPU (Termo de Permissão de Uso) firmado em 1998, transformando uma região abandonada em um centro de excelência na formação de jovens atletas. Desse modo, discordamos da tese de que a nossa presença tenha causado impactos negativos no local; pelo contrário, a nossa atuação levou cuidado, segurança e valorização ambiental onde antes havia omissão.

Cumpre esclarecer que a cessão da área observou integralmente os procedimentos administrativos exigidos à época, contando com a anuência dos órgãos públicos competentes, inclusive do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Temos plena convicção de que, nas instâncias superiores, será possível demonstrar a realidade dos fatos, bem como a relevância social da Academia de Futebol 2. Mais do que um centro de treinamento, trata-se de um polo formativo que proporciona a quase 400 jovens o exercício diário da cidadania, por meio de atividades educativas que extrapolam o futebol e os preparam para os desafios do futuro, dentro e fora de campo.

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