De Al-Rayyan

Fundado na mesma cidade do Cairo em que estão clubes egípcios tradicionais, como o Al-Ahly e o Zamalek, ambos capazes de mobilizar milhões de torcedores pelo mundo afora, até este ano o Pyramids fazia papel de coadjuvante apenas, sem maiores conquistas para ostentar diante dos feitos de seus rivais e vizinhos.

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Enquanto o Al-Ahly e Zamalek somam, respectivamente, 44 e 14 títulos egípcios, 39 e 29 Copas nacionais e doze e cinco Ligas dos Campeões da Confederação Africana de Futebol, apenas a partir de 2023, quando sagrou-se campeão da Copa do Egito, o Pyramids teve um troféu importante para festejar. 

Croata Krunoslav Jurcic, do Pyramids, joga todo o favoritismo para o Flamengo e espera tirar proveito disso / Pyramids

Chegou lá às custas da ambição do bilionário saudita Turki Al-Sheikh, que comprou o clube e injetou um bocado de dinheiro para ter reforços, inclusive do Brasil. Há cinco anos, nomes conhecidos como o atacante Keno (ex-Palmeiras) e os meias Rodriguinho (que jogou no Corinthians) e Carlos Eduardo (atuou no Athletico Paranaense) foram contratados. Mas o dinheiro investido não significou títulos no currículo, conforme Al-Sheikh tinha imaginado.

De mãos em mãos

Passado adiante para um novo investidor, o empresário Salem Al-Shamsi, de Dubai, dos Emirados Árabes Unidos, que assumiu o Pyramids em 2019, nos últimos dois anos o clube vem conseguindo se destacar.

Jogadores do Pyramids ganharam dois jogos para ter o direito de enfrentar o Flamengo na Copa Intercontinental / Pyramids

Treinado pelo croata Krunoslav Jurcic, o time, antes considerado nanico e com currículo modesto, transformou-se em uma máquina de erguer taças. Para chegar ao topo, Jurcic montou um elenco competitivo, em que os destaques são o goleiro Ahmed El-Shenawy, da seleção do Egito, e o centroavante congolês Fiston Mayele, além do ponta-direita Ewerton, que jogava no Banik Ostrava, da República Checa. Há quatro atletas da seleção do Egito, que estará na Copa do Mundo de 2026.

Copa do Egito

Essa mistura de talentos de origens tão diferentes deu liga. Em 2023, o Pyramids faturou a sua primeira Copa do Egito. E não parou mais de erguer troféus, com a surpreendente conquista da sua primeira Liga dos Campeões da África.

Testes no continente africano

Contra os prognósticos e aos trancos e barrancos, o Pyramids de Krunoslav Jurcic fez uma campanha histórica. Conseguiu se classificar em um grupo que tinha o poderoso Espérance, da Tunísia, goleou o forte FAR, do Marrocos, nas quartas de final, por 4 a 1 —perderia por 2 a 0 fora de casa, mas suficiente para avançar pelo saldo de gols. Nas semifinais, eliminou o Orlando Pirates, de Johanesburgo, empatando fora e vencendo em casa. E repetiu o roteiro na final contra o Mamelodi Sundowns, também da África do Sul, sagrando-se campeão africano pela primeira vez.

Este título significou a primeira participação do clube egípcio na Copa Intercontinental da Fifa, o antigo Mundial de Clubes. E o Pyramids continuou avançando, mesmo atuando contra adversários mais habituados à disputar esse campeonato. Em setembro, no Cairo, derrotou o Auckland City, da Nova Zelândia, por 3 a 1. Semanas depois, foi a Jeddah, enfrentar o Al-Ahli Saudi, o campeão da Ásia, e não tomou conhecimento do adversário: venceu por 3 a 0, conquistou a Taça África-Ásia-Oceânia e entrou no caminho do Flamengo, vencedor da Copa Libertadores no fim de novembro.

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“Temos muito respeito pelo Flamengo, mas estamos confiantes de que, se colocarmos o nosso melhor em campo, poderemos chegar à final: nós somos bons, vocês vão ver”, disse Jurcic ao The Football. Segundo o técnico croata, um trunfo a favor de sua equipe é o fato de o Flamengo ser o grande favorito. “Neste jogo a pressão estará toda em cima do Flamengo”, diz ele. “Mas, isso não significa que o nosso time entrará em campo contra os brasileiros sem ambições: queremos vencer esta partida para continuar fazendo história.”

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