Mal o Brasileirão 2026 começou e a arbitragem já voltou ao centro do palco. Não por acertos decorrentes das promessas de profissionalização feitas pela CBF, mas exatamente pelo oposto: por lances capitais, polêmicos, daqueles que reacendem a velha e cansativa desconfiança que o futebol brasileiro insiste em carregar consigo.
O que chama atenção é o contraste. A CBF abriu o ano vendendo a ideia de um novo tempo para o apito. Profissionalização de árbitros, assistentes e auxiliares, dedicação exclusiva, salários fixos, núcleos de apoio com nutricionista, preparador físico e atendimento psicológico. Um pacote robusto, pensado para dar ao Brasileirão um selo de qualidade, lisura e confiabilidade. No papel, tudo muito bonito.

Na prática, porém, bastou uma rodada para que nada disso fosse suficiente para blindar a arbitragem das críticas — e, pior, das suspeitas de favorecimento a este ou aquele clube.
Lances polêmicos na abertura
Pelo menos dois lances da rodada de abertura alimentaram diretamente esse ruído. No duelo entre Palmeiras e Atlético Mineiro, um gol dos atleticanos foi anulado por um impedimento milimétrico, daqueles que só a tecnologia — ou o que se entende por ela — enxerga. O problema é que, sem o prometido sistema de impedimento semiautomático, que deveria estrear neste início de ano e não foi entregue, seguimos reféns das linhas traçadas manualmente pelos operadores do VAR.
Um método longe de ser conclusivo, que abre margem para questionamentos legítimos e revive um erro recorrente de 2025 que muitos imaginavam superado.

No Morumbis, na surpreendente vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Flamengo, a polêmica veio em forma de pênalti não marcado. Num lance envolvendo Alan Franco e Arrascaeta, o VAR admitiu a existência de um toque da perna esquerda do zagueiro são-paulino no pé do uruguaio. Ainda assim, optou por uma análise interpretativa — algo que, em tese, não cabe ao VAR — para concluir que o contato não teve impacto suficiente para deslocar o jogador do Flamengo.
Segundo o VAR…
A justificativa beira o surreal. Segundo o VAR, como Arrascaeta prosseguiu no lance e conseguiu finalizar, nada deveria ser marcado. A pergunta que fica é inevitável: se o meia tivesse caído, desistido da jogada e se atirado no chão, o pênalti teria sido assinalado? Se esse é o critério, o áudio divulgado não apenas falha em esclarecer como estimula exatamente o comportamento que se diz combater — jogadores se jogando dentro da área para “caracterizar” faltas duvidosas.
É aí que o discurso da profissionalização começa a ruir. Não por falta de investimento, mas por falta de coerência. A tecnologia segue sendo usada como escudo para decisões questionáveis. A interpretação continua elástica, conveniente, variável conforme o lance, o contexto ou o personagem envolvido.
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O fato é simples e incômodo: mais um Brasileirão começa e, antes mesmo de a bola rolar de verdade, já estamos discutindo arbitragem. Já estamos desconfiando. Já estamos tentando entender critérios que mudam de jogo para jogo. O futebol brasileiro, mais uma vez, falha em se livrar de um mal antigo — a sensação permanente de que o apito não é confiável.





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