Já diziam os velhos filósofos de botequim que decisão não se joga, se ganha. A experiência de estar sempre disputando títulos ajuda muito nessas horas em que é preciso foco, construção, aplicação e erro zero. Com a competência de quem chegava à sétima final de Paulistão consecutiva — a sexta sob o comando de Abel Ferreira —, o Palmeiras fez a lição de casa e conseguiu abrir uma importante vantagem no primeiro capítulo da decisão do Estadual de 2026 ao vencer por 1 a 0 na Arena Barueri.

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É certo que nada ainda está decidido e o Novorizontino tem totais condições de reverter o placar na partida de volta, domingo, em casa. Na fase de classificação, aliás, o time de Novo Horizonte aplicou 4 a 0 no rival naquela que foi a derrota com maior diferença de gols sofrida em seis anos de Abel. Assim, sonhar é permitido. É legítimo.

Mudança no comando de ataque

A torcida do Palmeiras deve ter se assustado ao ver a escalação e constatar que Vitor Roque tinha sido colocado no banco de reservas, sendo substituído por Sosa. A esperança de ver Jhon Arias desde o início também foi frustrada. Aos poucos, porém, a torcida se lembrou que nessas horas Abel sempre tem um plano. E ele deu certo mais uma vez.

Flaco López mais uma vez guardou o dele, desta vez em chute rasteiro de fora da área para fazer 1 a 0 / Palmeiras

Sosa, aliás, foi quem construiu a jogada do gol marcado por Flaco López, aos 36 minutos da etapa inicial, naquela que foi a primeira finalização a gol das duas equipes. Até então, o Palmeiras controlava o jogo, mas não exercia aquela habitual blitz inicial sobre os adversários que vão jogar no Allianz ou na subsede de Barueri.

Como a final é desdobrada em dois jogos, parecia claro que os times entraram em campo para o primeiro duelo com a opção de evitar sofrer um gol logo de saída. À sua maneira, Palmeiras e Novorizontino jogavam como quem administra a variável do risco zero, sem se expor e sem dar espaços ao adversário.

Chutão ou ligação direta? É gol

Mas o Palmeiras tem suas armas — algumas que a torcida odeia e os críticos contestam, como a tal ligação direta da defesa para o ataque. Ligação direta é o eufemismo para o famoso chutão, no qual a linha de zaga se livra da bola e arrisca um passe longo na esperança de os atacantes ganharem o enfrentamento com os zagueiros adversários.

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Foi numa jogada assim que o Palmeiras acabou com o marasmo do jogo controlado e achou o caminho do gol. Apesar da aparência de um lance a esmo, foi na prática uma jogada planejada. Marlon Freitas pegou a bola na intermediária, levantou a cabeça e viu Sosa enfiado entre os dois zagueiros do Novorizontino. O paraguaio matou no peito, brigou pela posse e a bola acabou sobrando limpa para o iluminado Flaco López, que dominou, ajeitou para a canhota e chutou rasteiro, fraco, mas no canto esquerdo do goleiro Jordi.

A partir daí o jogo virou um carrossel de emoções. Logo na sequência, num contra-ataque — outra arma do arsenal de Abel —, Allan poderia ter feito o segundo, mas deu azar e acertou a trave.

Carlos Miguel pegou o pênalti cobrado no meio por Robson, impedindo o empate do Novorizontino / Palmeiras

Na sequência, pênalti para o Novorizontino, marcado em campo com coragem pelo árbitro Candançan, que viu falta dupla de Gómez e Marlon Freitas em cima de Vinícius Paiva. Na cobrança, Robson, artilheiro do campeonato, tremeu diante do gigante Carlos Miguel, chutou no meio do gol e a bola parou no paredão. Ficou a nítida impressão de que Carlos Miguel, ao permanecer parado no centro da meta, havia mapeado a forma como o adversário costuma bater pênaltis — e assim garantiu seu lugar no palco dos heróis da noite.

Fica tudo para o segundo jogo

No início do segundo tempo, o Palmeiras chegou a ampliar aos 7 minutos em mais uma de suas jogadas conhecidas. Falta cobrada da esquerda por Piquerez, cabeçada de Gustavo Gómez, defesa de Jordi… e no rebote o próprio zagueiro mandou para o fundo das redes. O lance, porém, foi para revisão do VAR e acabou anulado por impedimento — um daqueles lances no limite que só a tecnologia consegue definir.

O Palmeiras seguiu dominando a posse de bola e controlando o jogo, mas faltou mais ímpeto para ampliar o placar. Mesmo com Arias e Vitor Roque em campo a partir da metade do segundo tempo, o time não conseguiu transformar o controle em mais gols. O Novorizontino, por sua vez, tratou de se defender e sair desse primeiro duelo com a sensação de que está voltando vivo para Novo Horizonte. Essa história acaba domingo.

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