O ex-jogador, escritor, fã de rock incondicional, comentarista esportivo e eterno irrequieto Walter Casagrande Jr. está agora no teatro, com a peça “Na Marca do Pênalti”. Ele, com toda a sua irreverência e inteligência afiadas, com ideias claras e posições firmes, participa nesta sexta-feira do Festival de Teatro de Curitiba. Casão vai representar ele mesmo em suas andanças pelo futebol brasileiro e italiano, pela literatura, jornalismo, cinema e, claro, boa parte da vida. Ele também revisa os momentos em que passou internado em uma clínica para reabilitação de dependência química, tema de um dos seus principais livros. O teatro não é uma novidade para Casagrande, mas o palco é.

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Ele estará em Curitiba sozinho diante da plateia. É diferente de entrar em campo com um time ao seu lado. Na peça, ele interage com o público como se todos fossem seu amigo. Aliás, essa é uma de suas características. Casão gosta de gente. Não há um roteiro previamente definido. A apresentação segue o caminho que o público quiser nos sessenta e poucos minutos em cena. Se o papo se estender, não tem problema. Sua vida sempre foi pautada por desafios e holofotes, para o bem e para o mal. Isso nunca o assustou. Ao Estadão, ele disse que encara a plateia sem receio ou medo.

Walter Casagrande Jr: jogador, escritor, comentarista e agora fazedor de peça em teatro sobre ele mesmo / Divulgação

“Na Marca do Pênalti” vai falar de tudo. Se alguém na plateia perguntar se Walter Casagrande era um exímio cobrador de pênaltis, ele vai falar que não. Nunca fugiu da raia, mas também nunca foi o batedor oficial. No Corinthians, Sócrates tinha a função. Quando o “Magrão” não estava em campo, Casão se atrevia. Mas não era a sua. Ele, aliás, é um ferrenho contestador das cobranças de pênaltis dos jogadores brasileiros. Não provoque Casagrande com as “dancinhas” na hora de bater.

Mais de uma hora no palco

“Não tem mistério para cobrar. É correr com seriedade para a bola e chutar. Essas corridinhas que os jogadores dão não fazem o menor sentido. Eles não fazem isso quando dão passes na hora do jogo, por que então esses passinhos na hora de cobrar o pênalti? Você não vê os goleiros dando essas corridinhas para cobrar tiro de meta”, disse certa vez ainda na Rede Globo.

Falar de si mesmo faz bem a Casagrande. Sua história é de uma pessoa forte, que se entregou às drogas por um período da vida, e que soube sair delas com luta e garra. A mesma garra que o fez virar jogador, escritor, colunista e comentarista esportivo. Nada caiu dos céus para Walter Casagrande. Há pessoas que o idolatram pelo seu jeito verdadeiro e sincero sobre as coisas da vida e do futebol e também há aquelas que não querem saber dele. E tudo bem.

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O período da Democracia Corinthiana dos anos 80 subirá com ele ao palco em Curitiba. Aliás, essa fase ao lado de Sócrates, Wladimir e da tentativa da democracia brasileira nunca o largou. Nem vai largar. É um período do qual ele se orgulha muito. Com o jornalista Gilvan Ribeiro, ele escreveu três livros. Subir ao palco será uma verdadeira “terapia” em público para o jogador, uma nova aventura cultural de uma cara que desceu ao inferno, voltou de lá para continuar a viver e mantém um carisma gigantesco por onde quer que vá. Com vocês, Walter Casagrande Jr.

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