Em campo, o Corinthians enfrenta o Vasco neste domingo, em Itaquera, em condições de reafirmar um estado de recuperação técnica em curso desde a chegada de Fernando Diniz. Na segunda-feira, porém, a reunião do Conselho Deliberativo que vai analisar o balanço financeiro de 2025 reforça que, fora de campo, a situação econômica e administrativa do clube ainda é um retrato do caos.

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Diante dos números e da forma como a gestão tem cuidado de uma instituição com esse tamanho e patrimônio, é de se admirar que o Corinthians ainda esteja de pé, minimamente saudável para seguir em atividade. De acordo com informações antecipadas pelo portal GE, o balanço foi aprovado “com ressalvas” pelo Conselho Fiscal, que se reuniu esta semana para analisar os dados.

Neo Química Arena: Corinthians tem dívida de R$ 2,7 bilhões e ainda não pagou o seu estádio em Itaquera / Corinthians

Chama atenção a natureza de algumas das observações feitas pelos conselheiros. Há pontos que evidenciam uma condução amadora, quase varzeana, de procedimentos básicos no controle de receitas e despesas — algo elementar em qualquer organização minimamente estruturada.

Como pagar o que deve?

Há, inclusive, registro de vários pagamentos feitos em espécie e não formalizados na contabilidade. No Corinthians, práticas essenciais de governança têm sido ignoradas com uma naturalidade preocupante, contribuindo diretamente para o estado de desordem que levou o clube a uma dívida acumulada próxima de R$ 3 bilhões.

Trata-se de um valor colossal, praticamente impagável, não fosse a ainda impressionante capacidade do clube de gerar receitas — seja com contratos de patrocínio, cotas de TV, negociações de jogadores ou a força de sua bilheteria. É nessas horas que se dimensiona o peso da camisa e o apoio incondicional da torcida, capaz até de organizar campanhas para ajudar a amortizar parte da dívida do estádio.

Osmar Stábile, presidente assumiu o Corinthians, mas também não consegue melhor as finanças / Corinthians

O balanço financeiro aponta um déficit de R$ 143,4 milhões em 2025. Os números correspondem a cinco meses da gestão do ex-presidente Augusto Melo, que sofreu impeachment, e sete meses de Osmar Stabile, que assumiu o cargo em maio após
o afastamento do presidente eleito.

Um problema de várias gestões

Segundo os dados obtidos antecipadamente pela reportagem, a dívida bruta total do Corinthians foi reduzida para R$ 2,723 bilhões, abaixo dos R$ 2,8 bilhões registrados até novembro do mesmo ano. Desse total, R$ 2,081 bilhões são referentes a obrigações ordinárias do dia a dia do clube. Os outros R$ 642 milhões são herança das dívidas com a Caixa por causa do financiamento da Neo Química Arena, um passivo que se arrasta há mais de uma década e não tem previsão para ser quitado, uma vez que os juros não param de fazer o bolo crescer.

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Evidentemente, o problema não nasceu agora nem pode ser atribuído exclusivamente à atual gestão. O cenário é resultado de uma sucessão de equívocos acumulados ao longo de diferentes administrações, que ignoraram reiterados sinais de alerta sem promover as correções necessárias. Diante dessa radiografia, a conclusão é inevitável: se o Corinthians ainda não colapsou institucionalmente, é porque há algo que escapa à lógica fria dos números. É porque, acima de tudo, é o Corinthians — uma força que, até aqui, tem sido maior que tudo. Até quando será assim ninguém sabe…

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