taram sete jogos e menos de um mês de trabalho para o técnico Fernando Diniz encontrar um time para chamar de seu neste surpreendente início à frente do Corinthians. Sem nenhuma peça de reposição, o treinador garimpou no mesmo elenco que estava à disposição dos técnicos anteriores aquilo que considera sua força máxima. A performance — cinco vitórias, dois empates e nenhum gol sofrido — pode não garantir conquistas futuras, mas já é suficiente para abrir um debate importante: o Corinthians ainda precisa de Memphis Depay?
O craque holandês, inegavelmente, pertence a uma categoria de jogadores extra classe e foi muito importante nas campanhas das duas últimas temporadas. Peça fundamental na conquista de títulos e, sobretudo, na fuga de um rebaixamento que parecia inevitável em 2024. Não dá para esconder que, sempre que Memphis, Garro e Yuri Alberto estiveram juntos em campo, o Corinthians apresentou um futebol de mais qualidade e eficiência. A presença do trio passou a ser uma espécie de linha de corte entre o time vencedor e o time instável.

Mais do que isso: em diversas ocasiões, a ausência de um deles — especialmente a de Memphis — serviu como justificativa para atuações abaixo do esperado. Este ano, porém, o holandês praticamente não jogou, novamente vítima de lesões musculares que, inclusive, colocam em dúvida sua participação na Copa do Mundo.
O encaixe sem o holandês
O que muda agora é a abordagem. Em nenhum momento se ouviu Fernando Diniz recorrer à ausência de Memphis como explicação para as limitações do time. Ao contrário: o treinador chegou, arregaçou as mangas e trabalhou sem a perspectiva de contar com o seu principal jogador, sem terceirizar responsabilidades. Dentro desse cenário, buscou alternativas dentro do possível.

A primeira aposta foi o garoto Kaike, que vinha dando conta do recado até sofrer uma grave lesão no joelho. Depois, ainda sem lamentações, Diniz tentou Vitinho, que mais uma vez não conseguiu corresponder. Até que o treinador enxergou uma solução que parecia ser a mais óbvia: dar a Jesse Lingard o papel que, até então, era de Memphis.
Outras opções para Diniz
Ainda em fase de adaptação ao futebol brasileiro, é verdade, Lingard não refugou. Entrou no time alternativo que jogou contra o Barra na Copa do Brasil e fez o gol da vitória. Dias depois, foi um dos melhores em campo na vitória sobre o Peñarol, pela Libertadores. Mais do que a atuação individual, chamou atenção a forma como se integrou ao time — conectado com o ambiente de Itaquera e alinhado às ideias de jogo do treinador.
Com Lingard ao lado de Yuri Alberto, o Corinthians fez um primeiro tempo de alto nível contra os uruguaios. Uma aula de bom futebol. Um time organizado, intenso e dominante, que indicou algo que até pouco tempo parecia improvável: a dependência de Memphis pode, sim, ser relativizada.
E agora? Fica ou vai, Memphis?
Tudo isso acontece em um momento decisivo. Faltam cerca de 40 dias para a Copa do Mundo e o contrato de Memphis se aproxima do fim. O Corinthians já acumula uma dívida significativa de mais de R$ 40 milhões com o jogador e não tem hoje condições financeiras de oferecer um projeto de renovação sedutor. Em contrapartida, Lingard recebe menos e ainda tem vínculo a cumprir.
A combinação desses fatores cria um cenário curioso, quase como a junção perfeita entre necessidade e oportunidade. Como diz o dito popular, eis que temos a fome e a vontade de comer. Em pouco tempo, Diniz pode ter encontrado uma solução para uma equação que parecia complexa.
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Publicamente, o treinador deixa claro que ainda gostaria de contar com Memphis. Mas, na prática, o time começa a mostrar que consegue caminhar sem ele. E é justamente nesse ponto que o debate se impõe. Porque não se trata de negar a qualidade do holandês, mas de relativizar sua dependência. O Corinthians de Diniz começa a mostrar que pode funcionar sem precisar orbitar ao redor de um único jogador. E você, caro leitor, o que acha? Qual sua opinião diante dessa provocação? Dá para abrir mão de Depay? Confiar em Lingard como alternativa real? Acreditar que o Corinthians de Diniz consegue se sustentar sem depender de uma estrela como tábua de salvação?





