Djokoneca, Tetex, Risadinha, Dez e Turkito; Ivin, Nobre, Kintotu e Rodri; Gusmaozin e JLingz. Na noite em que o Corinthians trocou os nomes de seus jogadores por versões “genéricas”, a Neo Química Arena virou uma espécie de laboratório para a fiel torcida tratar aquela sensação de ansiedade — quase síndrome do pânico. A novidade na camisa fez parte de uma ação para celebrar o “Dia do Medicamento Genérico” e provar que, assim como acontece nas farmácias, a eficácia continua exatamente a mesma independentemente da embalagem.
E talvez tenha sido apropriado transformar o jogo numa farmácia, porque o time sofreu para achar o caminho do gol e impedir uma tragédia em Itaquera. No final, a operação foi bem sucedida. O Corinthians venceu o Barra por 1 a 0 (mesmo placar do jogo de ida) e avançou às oitavas de final da Copa do Brasil em busca do bicampeonato.

Jogo em um campo só
O primeiro tempo foi praticamente um exame de pressão contínuo. Mais de 80% de posse de bola, domínio absoluto do território ofensivo e uma sequência de finalizações que colocou o goleiro Everton como principal obstáculo ao tratamento de choque do ataque corintiano. Quando ele não defendeu, a trave fez o serviço. O diagnóstico inicial era claro: o Corinthians controlava os batimentos da partida, mas seguia sofrendo de insuficiência aguda de pontaria.
Na volta do intervalo, porém, os efeitos colaterais começaram a aparecer. O time reduziu a intensidade, passou a oferecer espaços e permitiu que o Barra encontrasse oxigênio no jogo. Fernando Diniz, à beira do gramado, entrou em estágio avançado de irritação aos cinco minutos, protagonizando um ataque de nervos após um erro de passe de Risadinha, ou melhor, Gabriel Paulista. Técnico é zagueiro estavam tão nervosos que mereciam um calmante. A bem da verdade, a essa altura já havia torcedor louco por ansiolítico para aguentar até o fim naquele cenário. O jogo parecia dominado, mas se o Barra achasse um gol era emergência na certa!
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Aos sete minutos, Rodri, ou melhor, Garro, tentou novamente acabar com o problema com um chute da intermediária, mas Everton operou outra defesa difícil. O goleiro do Barra já era, disparado, o princípio ativo mais eficiente da noite.
Dose mais forte
Percebendo que o tratamento convencional não fazia efeito, o doutor Diniz resolveu alterar a medicação. Aos 11 minutos, Cosminho (Kaio Cezar) e Menino Maluquinho (Bidu) entraram nas vagas de Kintotu (André) e Turkito (Angileri). A intenção era simples: trocar a receita para combater os sintomas persistentes da esterilidade ofensiva. Mas o quadro demorou a apresentar sinais de melhora. Aos 18, Garro voltou a experimentar de longe e Everton respondeu outra vez. Aos 31, Gabriel Paulista soltou uma pancada do meio da rua e a bola explodiu na trave. O Corinthians acumulava tentativas, mas seguia anestesiado.
Até que um velho remédio fez efeito. Gusmãozin, o genérico de Yuri Alberto, quebrou a patente de Everton e acabou com o sofrimento da Fiel. De quebra, ainda pôs fim ao jejum de nove jogos sem marcar. Em mais um passe cirúrgico de Garro, o atacante fez o facão entre os zagueiros do Barra, saiu na cara do goleiro. Com um toque sútil, por cobertura, decretou a cura dos males que afligiam o torcedor. O gol foi uma espécie de atestado de alta coletiva na Neo Química Arena. Foi o que deu para arrumar, porque ainda não inventaram um remédio que cure o sofrimento. Assim, o mais importante é ir sobrevivendo…




