Por Almir Leite

A convocação, ou não, de Neymar para a Copa do Mundo, principal tema dos últimos meses no futebol brasileiro, já cansou. Tema pra lá de chato, que a partir da próxima semana ganhará sua versão 2.0 com a inclusão ou não do santista na relação de Carlo Ancelotti. No entanto, uma ausência certa trará mais prejuízos à seleção brasileira do que a eventual ausência do “adulto Ney” traria. Não contar com Estêvão é, de fato, um motivo para lamentar.

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Por quê? Simples. Estêvão é o presente, e ainda bem, o futuro da seleção. Sua capacidade técnica, habilidade rara e características como jogador eram uma das grandes apostas de Ancelotti. O italiano tinha na velocidade dele, na facilidade de se virar em espaços curtos e na objetividade talvez o seu principal trunfo no desenho ofensivo que imaginou para sua equipe na Copa. Sem contar a capacidade de entender o que o jogo precisa, algo que até surpreende em um jovem de 19 anos. Bem como a maturidade.

Estêvão, do Chelsea e ex-Palmeiras, é a falta mais sentida de Ancelotti para a seleção brasileira na Copa / CBF

Por esses e outros aspectos, Ancelotti deve continuar lamentando a contusão na coxa esquerda que tirou o principal atacante, e o artilheiro, da equipe que está construindo. Deve também estar quebrando a cabeça para definir quem irá substitui-lo. O veloz e também habilidoso Luiz Henrique é um bom candidato. Mas a ausência do ex-palmeirense aumenta a chance de Rayan, que também tem como ponto forte a força física.

Neymar não é o mesmo

Por outro lado, Neymar não é mais o mesmo. E isso é natural para quem tem 34 anos e ainda teve de passar bom tempo de molho por causa de contusão. Quem acompanha os jogos do Santos já percebeu que, se Ancelotti cumprir fielmente o que tem dito (que só levará jogador 100% física e tecnicamente para a Copa), o atacante vai ver a seleção pela TV ou pelas tribunas dos estádios onde o Brasil atuar na América do Norte.

Melhorou fisicamente, mas está longe do ápice. Tecnicamente, tem errado passes fáceis em quantidade maior do que se espera de um jogador com o seu talento, falha em conclusões e tomadas de decisão equivocadas.

Neymar: jogador foi poupado em jogo contra Mirassol, mas retorna aos holofotes em confronto com Corinthians / Santos
Neymar quer ter um bom desempenho no fim de semana para conseguir uma vaga na seleção para a Copa / Santos

Mas o santista é totalmente descartável? O italiano entende um pouco mais de futebol do que esse esforçado escriva, umas 200 milhões de vezes mais, mas acho um exagero querer craques como Neymar na ponta dos cascos. Com o talento e a experiência que tem, ele poderia ser útil se aceitasse fazer parte do grupo para ser usado em momentos estratégicos, como por exemplo, na parte final de um jogo em que o adversário já esteja cansado.

Neymar como reserva seria bom

Seria interessante que Ancelotti propusesse a Neymar fazer parte do projeto não como estrela-mor, mas como um dos 26 apenas, o que já não é pouco. Se topasse, estaria dentro; se não topasse, ficaria fora. O problema é que, com exceção dos tempos de Barcelona, Neymar sempre quis ser o protagonista. Do contrário, ele, os seus parças, seu pai e seu staff estrilavam. Como ocorreu várias vezes, por exemplo, no Paris Saint-Germain.

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Esse Neymar faria mal à seleção. Colocaria tudo a perder. Mas, se topar ser um jogador de grupo, pode ser importante e até fundamental para o Brasil na Copa. Ainda mais em um grupo que não poderá ter Estêvão, esse, sim, o jogador brasileiro mais capaz de fazer a diferença no futebol atual.

A Pré-lista

Dos nomes já descobertos por vários colegas competentes e bem informados da lista de 55, a inclusão de Pedro, o melhor “centroavante-centroavante” que o Brasil tem, é grande acerto. Tomará que a lucidez de Ancelotti o inclua entre os 26. A presença de Thiago Silva também é salutar. O do Fluminense de 2025 teria lugar na Copa. O do Porto, onde não joga tanto, talvez não. Mas seu conhecimento ímpar da posição, capacidade técnica e o fato de ser um treinador dentro de campo (e quando fica no banco) pode ser útil. A diferença para o Neymar? O comprometimento e a posição em que joga.

Mas, cá entre nós, não deu para entender a presença de John, apesar de ser um bom goleiro; de Vitinho, o craque dos jogos fáceis; e de Samuel Lino, esforçado, atrapalhado e nada mais na pré-lista brasileira.

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