O espanhol Mikel Arteta foi um meia com carreira discreta, apesar de ter sido jogador do Paris Saint-Germain, por um ano e meio, em 2001, e defendido outras equipes renomadas, como a Real Sociedad, o Everton e o Arsenal. Porém, com apenas 44 anos, o novato treinador é o cara do momento quando o assunto é dirigir bem uma equipe de futebol.
Pupilo do conterrâneo Pep Guardiola, com quem trabalhou por três anos e meio como auxiliar-técnico, no Manchester City, após sua aposentadoria dos gramados. Mikel Arteta é o maior responsável pela revolução, que recolocou o Arsenal, equipe do norte de Londres, na briga pelos principais títulos desta temporada: o da Premier League, conquistado nesta terça-feira, que encerrou o jejum de 22 anos. No dia 30 de maio, em Budapeste, os ingleses medem forças com o Paris Saint-Germain, na decisão da Liga dos Campeões
É uma façanha e tanto considerando que quando Arteta assumiu o Arsenal, em dezembro de 2019, o clube passava por uma crise daquelas. Após a saída do francês Arsène Wenger, o estrategista que construiu um esquadrão com os campeões mundiais Thierry Henry e Robert Pires, campeão inglês invicto em 2004, não houve técnico capaz de dar um padrão de jogo à equipe.

Controle do vestiário
O espanhol Unai Emery, que foi antecessor de Arteta, não resistiu dezoito meses no comando, tamanho o vespeiro que o elenco tinha se tornado. Líderes do elenco, como o alemão Mesut Özil e o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, bateram de frente com a comissão técnica – e deixaram o clube pela porta dos fundos.
Para tentar restaurar a ordem em um ambiente tão conturbado era preciso fazer uma guinada. O primeiro passo foi a criação de um departamento de Inteligência de Futebol, que passou a mapear oportunidades no mercado. Sob a coordenação do brasileiro Edu Gaspar, ex-jogador do clube, seu foco era analisar oportunidades no mercado e prospectar jogadores, com métodos mais modernos.
Esse foi o ponto de partida para a construção de um time coeso coletivamente e bem treinado. A sua base está no que o próprio Arteta chama de “amor pela defesa”, uma filosofia que enfatiza o comprometimento em encurtar os espaços e lutar pela posse da bola, incansavelmente.
Artilharia aérea
Embora essa abordagem não resulte em um estilo de jogo vistoso, a solidez é evidente, a começar pela defesa, com destaque para o desempenho dos zagueiros William Saliba e Gabriel Magalhães e do goleiro David Raya. Não por acaso treze das 25 vitórias da equipe na Premier League nesta temporada tenham sido obtidas pela margem de apenas um gol.
Um outro exemplo da abordagem de Arteta é a irritante eficiência do Arsenal em lances de bola parada. É um estilo de jogo chato de assistir? Pode ser, mas tem sido eficaz para conseguir bons resultados. Essas jogadas provenientes dos cruzamentos a partir de faltas ou escanteios geraram nada menos do que 19 dos gols da equipe na Premier League. Toda essa preparação é treinada minuciosamente, longe dos olhos dos jornalistas ou espiões.
Segredo é arma do negócio
Segundo fontes próximas ao elenco do Arsenal, outra das características do espanhol é ser obcecado por esconder as informações, até onde for possível. Não vaza nada sobre lesões ou problemas internos. Mesmo as escalações só são compartilhadas com os jogadores em cima da hora.
O modelo de jogo do Arsenal está baseado em variações do 4-3-3, com o objetivo de exercer pressão nos adversários, enquanto o time detém a posse de bola. Os médio-volantes Rice e Zubimendi e Eze, pouco à frente deles, são os articuladores da equipe, com o apoio dos laterais Timber e Calafiori.
Quando é atacado, o Arsenal de Arteta procura se organizar em linhas defensivas, congestionando a zona intermediária e reduzindo os espaços. Em outras palavras, com confiança na habilidade de Gabriel Magalhães e Saliba para interceptar as bolas cruzadas na área, ele prefere concentrar o jogo para o centro.

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Atento aos detalhes, o treinador espanhol procura usar todas as armas que estão ao seu alcance. Poucos meses após a sua chegada, ele estreitou laços dos líderes da torcida – e o resultado são cenas de milhares de pessoas aglomeradas em torno do ônibus da delegação, nos dias de jogos. Menos espetacular do que o Paris Saint-Germain, seu adversário na final da Liga dos Campeões, eis que o Arsenal pode ser o azarão da temporada, novamente.





