u a fase de testes. A próxima vez que a seleção brasileira entrar em campo já vale Copa do Mundo, portanto, vale o sonho do hexa. O último estágio antes da estreia contra o Marrocos, no próximo sábado, não foi lá muito animador. Além de ter uma certa dificuldade para vencer a fraca seleção do Egito por 2 a 1 no amistoso disputado na noite deste sábado, em Cleveland, nos Estados Unidos, o Brasil saiu de campo com um enorme prejuízo: a lesão muscular do lateral-direito Wesley, que deixou o gramado chorando, desconfiado e temeroso de que, para ele, a Copa nem começou e já acabou.

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Obviamente que qualquer conclusão vai depender de um diagnóstico mais preciso sobre o grau da lesão na virilha esquerda, mas o risco de corte é real. Um problema e tanto para Carlo Ancelotti resolver em uma semana apenas, até porque a opção que restou neste grupo de convocados seria improvisar um zagueiro na posição — Danilo ou Ibáñez.

Endrick saiu do banco de reservas para fazer o gol da vitória do Brasil no último amistoso antes da Copa / CBF

Outra preocupação que este amistoso traz é que, assim como aconteceu contra o Panamá, o time considerado titular jogou menos do que a formação reserva, que voltou a empolgar mais no segundo tempo, especialmente no ataque. Luiz Henrique e Endrick entraram muito bem e ajudaram o Brasil a buscar a vitória. O gol decisivo foi um daqueles lances típicos de centroavante, marcado por Endrick. Dispensado do Real Madrid pelo técnico italiano, o garoto ganhou um beijo no rosto do chefe na comemoração. Um sinal importante de respeito, carinho e admiração.

A última observação

O resultado em si importava pouco. Ancelotti estava mesmo imbuído da ideia de fazer testes, analisar comportamentos e medir o grau de confiança que pode depositar em alguns jogadores que não ocupavam os primeiros lugares de sua escala de preferências. Nesse aspecto, o amistoso cumpriu sua função. Com amplo domínio na posse de bola, o Brasil tomou a iniciativa e controlou as ações durante a maior parte do jogo. No primeiro tempo, só faltou mais efetividade dos atacantes. E mais equilíbrio na recomposição da defesa.

O começo parecia indicar uma vitória mais fácil e um jogo mais tranquilo. Aos seis minutos, abriu o placar com Bruno Guimarães, que roubou a bola no campo de ataque e finalizou com categoria da entrada da área. Quatro minutos depois, porém, Marquinhos errou um passe na saída de bola e entregou nos pés de Zico, que empatou para os egípcios. Que ironia, o Brasil tomando um gol de Zico!!! O apelido do atacante egípcio é uma homenagem do seu pai ao grande astro brasileiro, de quem era fã.

Time mais seguro com Paquetá

A partir daí, a seleção manteve o domínio territorial, mas não foi eficiente nas finalizações. O goleiro Shobeir apareceu bem em algumas oportunidades e ajudou a manter o empate até o intervalo. O ponto mais negativo da etapa inicial, contudo, foi mesmo a lesão de Wesley, substituído por Danilo ainda aos 16 minutos.

A ideia de observar um time com mais um jogador participando da construção no meio-campo foi uma experiência interessante com Paquetá. A opção por uma linha de três atacantes, tendo um centroavante de ofício como referência, também se mostrou uma alternativa viável para enfrentar equipes mais fechadas, como era o caso do Egito. Igor Thiago se movimentou bastante, participou das jogadas e criou espaços, embora tenha desperdiçado duas oportunidades claras.

Ajuste no intervalo

No segundo tempo, as mudanças deram outra cara ao time. Luiz Henrique entrou acelerando as ações ofensivas, enquanto Endrick acrescentou agressividade e presença de área. O jovem atacante precisou de apenas uma oportunidade para deixar sua marca e reforçar sua candidatura a um papel mais importante durante a Copa. Fabinho aproveitou bem a sua oportunidade. Entrou num momento delicado, quando o Egito colocou em campo sua principal estrela. Poupado durante a primeira etapa, Salah saiu do banco e mostrou em poucos toques por que é um jogador de classe mundial. Ainda assim, o volante brasileiro deu mais consistência ao sistema defensivo e ajudou a controlar as investidas do rival.

Mais do que a vitória por 2 a 1, o amistoso deixa algumas reflexões importantes para a semana que antecede a estreia diante do Marrocos. A principal delas é que Ancelotti talvez ainda não tenha encontrado sua formação ideal. Pela segunda partida consecutiva, os reservas produziram mais impacto do que muitos dos titulares. Isso não significa necessariamente uma mudança radical na escalação, mas mantém abertas algumas disputas internas.

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Também ficou evidente que o Brasil ainda precisa melhorar sua eficiência ofensiva. Contra adversários que se fecham, a equipe consegue controlar a posse de bola, ocupar o campo de ataque e criar volume de jogo, mas ainda transforma pouco desse domínio em gols. Em uma Copa do Mundo, onde os espaços são menores e os erros têm consequências maiores, essa é uma questão que precisará ser corrigida rapidamente.

A triste lesão de Wesley

Ao mesmo tempo, algumas experiências parecem ter funcionado. Paquetá como articulador mais próximo dos volantes, a utilização de um centroavante de referência e a boa entrada de Fabinho ampliam o leque de alternativas para diferentes cenários de jogo. Mas a principal manchete da noite talvez não tenha sido nem a vitória nem o gol de Endrick. Foi a saída de Wesley chorando. Se a lesão confirmar um problema mais grave, Ancelotti perderá justamente um dos jogadores que mais cresceram durante a preparação para a Copa.

Acabaram os testes e os amistosos. Acabaram as experiências sem consequências. Da próxima vez que o Brasil entrar em campo, não haverá mais espaço para observações ou ensaios. Será Copa do Mundo. Será valendo. E será a hora de transformar os sinais deixados pela preparação em certezas dentro de campo.

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