Bastou o empate no primeiro jogo da Copa do Mundo para começar o tiroteio. Há razões para críticas a Carlo Ancelotti e motivos para entender a crise das primeiras semanas do Mundial. O treinador cometeu erros na convocação, na escalação e nas substituições. Mas foi o Brasil quem trocou quatro vezes de técnico em quatro anos e perdeu tempo para montar uma equipe mais forte do que há nessa Copa.
Se chegar às semifinais, será por correção de rota e trabalho árduo nos próximos quinze dias. Também será necessário ter coragem de fazer alterações pontuais. Talvez tirar Casemiro, escalar Danilo Santos e Endrick. O campo fala.

Mas é curioso como o país que pediu um técnico estrangeiro e recebeu Ancelotti com pompa, demora a entender que tem um técnico italiano numa Copa do Mundo. Rapidamente vira um bangue-bangue ao italiano. No passado, a TV Record exibia um filme por semana numa sessão chamada Bang Bang à italiana. Agora é no italiano.
Telê passou por isso em 1986
Ninguém será advogado de Ancelotti, mas o diagnóstico exige atenção. Nenhum técnico da seleção brasileira chegou à Copa com tão poucos jogos à frente do time desde Telê Santana, quando ele retornou da Arábia Saudita, tomou posse da seleção em março e teve sete partidas preparatórias antes da estreia contra a Espanha. Telê manteve a base de 1982. E foi renovando aos poucos. Trocou Oscar por Júlio César, Falcão por Elzo e Alemão e Branco entraram no time.
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Portanto, ou Ancelotti tem a coragem de mexer no time rapidamente ou não vai dar tempo de chegar pelo menos às semifinais, vocação desta geração de bons jogadores envolvida num trabalho de quatro anos desperdiçados.





