Nova York — Neymar passou no teste que o deixará no banco de reservas do Brasil na partida desta quarta-feira contra a Escócia, em Miami. Será o último jogo da fase de grupos da Copa do Mundo e vale a disputa do primeiro lugar da chave. A programação de Carlo Ancelotti sempre foi a de tentar contar com o atacante neste compromisso. Agora, pela primeira vez no Mundial, isso está perto de acontecer.

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O camisa 10 fez neste domingo o seu primeiro treino integral com os companheiros. Já havia trabalhado no campo em outras duas oportunidades, mas de forma leve e lenta. Em uma delas, até usou apenas tênis. Desta vez, Neymar calçou chuteiras, correu, acelerou, reduziu velocidade, girou com a bola, girou sem a bola e chutou forte. Não sentiu incômodo na panturrilha direita. Foi o sinal que a comissão técnica esperava.

Neymar faz primeiro treino intensivo e não sente dores na panturrilha direita: ele passa no teste / CBF

Ainda assim, o treinador vai esperar 24 horas antes de bater o martelo sobre a sua escalação. A comissão de Ancelotti quer saber se Neymar sentirá dor ou desconforto na região da panturrilha direita depois do treino. Se não houver reação (negativa), o jogador dará o primeiro passo real para voltar a disputar uma partida de Copa. Até agora, o seu Mundial foi feito de tratamento, exames, academia, fisioterapia e muita expectativa.

Neymar passa no teste

Neymar foi convocado no dia 18 de maio já com uma lesão na panturrilha. Desde os primeiros trabalhos na Granja Comary, em Teresópolis, ele trata o problema com os médicos da seleção. Nos Estados Unidos, fez novos exames e intensificou a recuperação. Contra o Haiti, em Filadélfia, o atleta nem viajou com a delegação. Ficou em Nova Jersey para trabalhar em dois períodos e tentar acelerar o processo.

O teste deste domingo foi diferente porque teve movimentos de jogo. Não foram corridinhas no campo nem brincadeiras com bola. Neymar precisou mostrar que podia fazer piques, mudar de direção, frear, acelerar e chutar com força. Era o tipo de resposta que Ancelotti precisava ter para levá-lo ao banco contra a Escócia. O processo de recuperação chegou ao fim. Agora começa uma nova batalha para saber se Neymar pode competir em alto nível. O seu condicionamento físico é inferior se comparado aos demais jogadores.

Deve jogar por 15 minutos

Mas há a possibilidade de o atacante ser utilizado por cerca de 15 minutos no segundo tempo em Miami, mesmo se o jogo estiver difícil. A intenção de Ancelotti é dar ritmo, minutagem e quebrar a ansiedade da estreia. Neymar disputou as Copas de 2014, 2018 e 2022. Tem 13 jogos e oito gols. Seus números podem melhorar. De todos os atletas mais badalados da competição, é o único que ainda não estreou.

Carlo Ancelotti leva Neymar para o banco na partida do Brasil contra a Escócia: atacante fará a sua estreia / CBF

Mas o retorno ao banco de reservas não significa retorno ao protagonismo no Brasil. Neymar sabe que não é mais a estrela absoluta da companhia. Também entende que terá de ajudar em uma função diferente. Ancelotti o enxerga mais perto da área, como atacante, e não como o jogador que carregava a seleção desde o meio-campo. É uma função mais próxima da ocupada por Matheus Cunha, autor de dois gols contra o Haiti e fortalecido na disputa.

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Esse é o novo desafio de Neymar. Primeiro, provar que não sente mais a lesão. Depois, recuperar a condição física. Por fim, convencer Ancelotti de que pode ser útil em um time que começa a encontrar caminhos sem ele. O Brasil já tem vaga assegurada no primeiro mata-mata dos 16 avos, antes das oitavas de final. Contra a Escócia, Neymar deve vencer a primeira batalha: voltar a estar disponível. Não é pouco para quem passou cinco semanas como “paciente” da seleção. Mas também não é tudo. A Copa, para ele, começa atrasada. E começa com uma pergunta que não existia em outros Mundiais: Neymar ainda tem tempo e corpo para ser importante para o Brasil?

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