Nova York – A pouco menos de dois metros de distância do ponto onde estou, na tumultuada Zona Mista do Estádio MetLife, cercado por dezenas de câmeras e microfones, o atacante norueguês Erling Haaland viveu uma noite de superstar pop na sua estreia no principal estádio da Copa do Mundo de 2026. Saíram dos seus pés dois dos três gols que consumaram a vitória sobre o Senegal, por 3 a 2.
E, mais do que isso, uma classificação da Noruega para os jogos das fases de mata-mata, pela primeira vez, em 28 anos, no Mundial da França.

Era uma equipe forte fisicamente, bem treinada, na qual por um triz não jogou um outro Haaland, Alf-Inge, o pai do atual camisa 9 (ele estava na seleção que competiu no Mundial de 1994, que também foi disputado nos Estados Unidos). Em 1998, os noruegueses enfrentaram a seleção brasileira, de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto na fase de grupos – e ganharam. Contudo, acabaram eliminados pela Itália, na primeira das suas partidas eliminatórias.
Com seu porte físico que lembra um viking dos filmes e seus longos cabelos loiros presos em um coque, o Haaland filho pode chegar muito além do que fizeram o seu pai e as seleções norueguesas de três décadas atrás. Do alto do seu 1,96 m e pesando 94 kg, ele é o que se pode chamar de um atacante completo e eficaz: oportunista, ótimo no jogo aéreo, exímio finalizador com os pés, forte e muito rápido para vencer os zagueiros na corrida e aguentar os trancos na área. No caso de Haaland, a combinação de todas estas habilidades resulta em números espetaculares.
Jornada do artilheiro
Na sua carreira como atleta profissional até agora, ele já marcou 376 gols em 450 partidas. O que dá uma ótima média de 83 gols a cada cem jogos. Comparável ao que está fazendo? Só as marcas de artilheiros consagrados do calibre do argentino Lionel Messi, do francês Kylian Mbappé ou do inglês Harry Kane. Ou seja, exatamente os jogadores contra quem este norueguês de 25 anos está duelando pela artilharia neste Mundial de 2026.
Na partida contra o Senegal, Haaland se revelou, novamente, letal na arte de finalizar para as redes. Foi assim com a bola do 2 a 0, que foi resultado de um chute preciso do seu pé esquerdo, que pegou de surpresa o goleiro Édouard Mendy. Minutos depois, rápido e inesperado, como um raio, ele aproveitou um cruzamento de Patrick Berg que caiu em seu pé direito e bateu no travessão antes de entrar, fazendo o 3 a 1. Foi o quarto gol do camisa 9 da Noruega, colocando-o na briga pela artilharia do Mundial de 2026, com goleadores renomados, como o argentino Lionel Messi, o francês Kylian Mbappé e o inglês Harry Kane, de cara no primeiro Mundial que está disputando.
Faro do artilheiro
Para azedar um pouco a atmosfera festiva dos nórdicos no estádio MetLife, no tempo adicional do jogo, os senegaleses ainda foram às redes uma segunda vez, já nos acréscimos, reduzindo a diferença no marcador. A Noruega ainda levou a melhor, mas foi precisamente por causa desse gol tardio, do atacante Ismaila Sarr, que os noruegueses deixaram de ser líderes do Grupo I. Contudo, ainda podem voltar para a ponta da tabela desde que vençam a França no dia 26 de junho, nos arredores de Boston.
Sem demonstrar a menor frustração pela oportunidade desperdiçada de entrar com a vantagem do empate na partida que definirá as posições de franceses e noruegueses nos mata-matas, Haaland preferiu curtir o seu segundo jogo de Copa do Mundo anotando dois gols numa partida.
“Estamos escrevendo história: eu faço parte de algo especial e esta seleção da Noruega faz parte de algo especial”, disse Haaland. “É suficiente para ganhar a Copa do Mundo?”, pergunta um dos jornalistas, na Zona Mista. “De jeito nenhum”, respondeu Haaland. “Vamos ser realistas e fazer o nosso melhor, jogo a jogo.” E assim, comendo pelas beiradas, como quem não quer nada, um dos caras da Copa vai marcando gols e construindo uma história brilhante.




