Julián Álvarez quer sair do Atlético de Madrid. O Barcelona quer o argentino. E o Atlético não pretende facilitar. A menos de três semanas do fechamento da janela de transferências na Europa, uma das novelas mais quentes do futebol espanhol ganhou contornos de crise depois de um episódio que teria irritado profundamente o atacante: ele marcou uma reunião para discutir seu futuro com Diego Simeone e com o CEO do clube, mas teria descoberto ao chegar que os dois estavam de folga. O argentino teria ficado revoltado e pedido para deixar imediatamente o clube de Madri.

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O episódio, revelado pelo Mundo Deportivo, é mais um sinal de que a relação entre Julián e o Atlético pode ter chegado ao fim. Não se trata apenas de uma sondagem do Barcelona ou de uma especulação de mercado. O atacante de 26 anos já tomou uma decisão sobre o seu futuro. Quer mudar de clube. E o Barcelona aparece como o destino preferido. Mas a situação coloca o Atlético diante de um problema gigantesco. Julián tem mais quatro anos de contrato e uma multa rescisória de 500 milhões de euros, cerca de R$ 3,1 bilhões. É um valor proibitivo até mesmo para o Barcelona. A multa blinda seu principal jogador ofensivo. O Atlético não quer perder o argentino e não deseja entregá-lo a um rival direto da Espanha.

Julián Álvarez chega ao Atlético de Madrid depois de uma boa passagem pelo Manchester City / Divulgação

O Barcelona, porém, sabe que encontrou uma brecha. O clube catalão precisa de um novo centroavante e vê em Julián a solução ideal. Robert Lewandowski deixou o futebol espanhol rumo aos Estados Unidos, enquanto Ferran Torres pode ser negociado com o Paris Saint-Germain. A direção do Barça entende que o argentino tem características para assumir o comando do ataque ao lado de Lamine Yamal e Raphinha, caso o brasileiro permaneça no clube.

Julián é argentino e tem 26 anos

É aí que a história fica mais complicada. Julián não chegou ao Atlético para ser apenas mais um atacante. Saiu do Manchester City depois de conquistar tudo e escolheu Madri para ter protagonismo. Em Manchester, apesar dos títulos e da convivência com Pep Guardiola, alternava entre a condição de titular e reserva. Queria jogar mais e ser protagonista. No Atlético, recebeu a camisa 9 e a confiança de Simeone. O clube apostou alto no argentino, que já havia sido campeão da Libertadores pelo River Plate, da Champions League pelo Manchester City e da Copa do Mundo com a Argentina. Aos 26 anos, Julián já tem uma coleção de títulos que muitos jogadores jamais alcançarão.

Lamine Yamal
Nas duas apresentações contra a França na Copa, Yamal levou a melhor e tenta ajudar a Fúria chegar à final / Sefutbol

Mas a passagem pelo Atlético não produziu o resultado esperado. Julián fez bons jogos, marcou gols importantes e se tornou referência ofensiva, mas o Atlético continuou distante dos grandes títulos. Sob o comando de Simeone, o clube viveu seu período mais vitorioso da história recente, mas a realidade ainda é dura quando comparada com Real Madrid e Barcelona. Nos últimos cinco anos, o Barcelona conquistou sete títulos e o Real Madrid levantou 11 troféus. O Atlético ficou para trás.

Multa absurda

Esse cenário também pesa na decisão do atacante argentino. Ele não precisa necessariamente de mais um projeto para construir uma carreira. Precisa de um clube que esteja disputando os maiores troféus todos os anos. E o Barcelona acredita que pode oferecer isso a ele. A relação com Simeone é um componente importante da história. O treinador foi fundamental para convencer Julián a trocar Manchester por Madri. O atacante chegou ao Atlético acreditando no projeto e no comando de um compatriota. Agora, dois anos depois, a relação parece atravessar seu momento mais delicado.

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Se o episódio da reunião for confirmado, o simbolismo é enorme. Julián teria procurado o treinador e o principal dirigente do futebol do clube para discutir o futuro. Chegou para conversar e encontrou os dois de férias. Ficou puto. Para um jogador que já estaria incomodado com os rumos da equipe e decidido a ouvir propostas, a situação pode ter sido interpretada como falta de consideração. E foi. O Atlético, por sua vez, tem uma arma poderosa: contrato.

Barcelona não tem tanto dinheiro

A multa de 500 milhões de euros não está ali por acaso. É o recado mais claro possível de que o clube de Madri não pretende negociar Julián Álvarez por qualquer valor. Para tirá-lo da cidade, o Barcelona precisaria encontrar uma fórmula que convencesse o Atlético a abrir mão do jogador ou negociar muito abaixo da multa. O Barcelona não vive uma situação financeira confortável. Pagar centenas de milhões de euros por um atacante seria uma operação gigantesca. Há ainda Rodri para contratar. Ele é prioridade. O clube teria de vender jogadores, abrir espaço na folha salarial e encontrar uma engenharia financeira que permitisse a contratação.

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