O Corinthians decidiu não renovar com Memphis Depay, mas a decisão que deveria representar uma escolha financeira correta acabou se transformando em uma crise política, esportiva e de imagem para Osmar Stabile. A revolta da torcida com o presidente não nasceu porque o clube perdeu o atacante holandês. O que provocou a reação foi a maneira como a negociação foi conduzida: durante meses, o clube negociou, alterou valores, discutiu o parcelamento da dívida (de R$ 42 milhões), encaminhou um novo contrato e chegou a um ponto em que Memphis já havia feito exames médicos. Quando parecia faltar apenas a assinatura, Stabile recuou. Sob pressão interna.

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É aí que está o problema do presidente. Ele tomou a decisão certa, mas errou feio na condução do processo. Gestão nunca foi o forte do clube. Se o Corinthians tivesse decidido desde o começo que não poderia pagar Memphis, a torcida poderia até reclamar da saída do jogador, mas entenderia a lógica. O torcedor é inteligente. O clube está endividado, tem problemas de fluxo de caixa, acumula compromissos e precisa cortar despesas. O próprio presidente usa esse argumento para justificar a decisão com Memphis. O que a Fiel não entendeu foi por que o clube deixou a negociação avançar tanto.

Memphis Osmar Stabile, presidente do Corinthians
Presidente do Corinthians, Osmar Stabile, alega problemas financeiros e decide não renovar com Memphis / Corinthians

Memphis havia aceitado reduzir o custo do novo contrato. O acordo que vinha sendo discutido previa vínculo até julho de 2028, com salário fixo inferior ao contrato anterior, além de bônus e benefícios menores. Também estava em discussão o parcelamento de uma dívida que o Corinthians tem com o jogador. Tudo parecia amarrado até o “não queremos mais”. O episódio dos exames médicos tornou tudo ainda mais difícil de explicar. Memphis voltou ao Brasil, participou das etapas necessárias para a assinatura e recebeu sinais de que continuaria no Corinthians. Para o jogador, não foi apenas uma negociação que fracassou. Ele afirmou que havia um acordo e acusou o Corinthians de descumpri-lo.

Dívida total? R$ 180 milhões

E agora existe um problema ainda maior. A dívida do Corinthians com Memphis pode se transformar em uma nova batalha. Era de R$ 42 milhões, mas com a recusa passou para R$ 77 milhões. E agora saltou para R$ 180 milhões de acordo com os agentes do atleta em função de um pré-contrato de mais dois anos e dos exames médicos. Ou seja, o Corinthians deve ao holandês quase outro estádio. O caso vai para a Justiça. E deve bater no CAS e depois na Fifa. Mas esse valor é contestado pelo clube.

Memphis Depay disse que não esperava pela recusa do Corinthians e que vai procurar os seus direitos / Corinthians

Essa é a parte que explica a revolta da torcida. A Fiel sabe que Memphis não era barato e que o Corinthians não tem dinheiro sobrando. O problema é que o clube parecia ter encontrado uma solução intermediária: pagar menos ao jogador, reduzir benefícios, alongar compromissos e manter em campo um atleta que, goste-se ou não, tinha peso internacional e era um dos principais nomes do elenco.

Decisão certa. Caminhos errados

Stabile preferiu não correr esse risco. E há uma explicação política para isso. A decisão de não assinar a renovação aconteceu em meio à ameaça de perda de apoio político ao presidente nas próximas eleições. O assunto havia dividido grupos dentro do Parque São Jorge e a permanência de Memphis passou a ser também uma disputa pelo controle político o clube. Stabile sofreu pressão de aliados. Essa mistura de futebol, dinheiro e política deixou o torcedor desconfiado.

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O presidente pode argumentar que está tentando fazer aquilo que outros dirigentes não fizeram: colocar as finanças acima de decisões populares. É uma tese defensável e necessária. Mas administrar significa saber conduzir uma negociação. E Stabile errou em tudo. O Corinthians construiu a expectativa de renovação. O jogador aceitou condições diferentes. Fez até exames. O processo com Memphis “matou” a candidatura de Stabile de concorrer às eleições. E ele vai deixar uma dívida gigantesca somente com um jogador. Para a torcida, não há clima para que permaneça no cargo. O torcedor se sente enganado. O técnico Fernando Diniz tinha planos para o time com o atacante.

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