O Santos, que ainda não conseguiu encontrar tranquilidade no Campeonato Brasileiro, aprendeu a sobreviver nos mata-matas. E talvez nenhuma imagem explique melhor essa versão do time do que a noite desta quinta-feira, em Ambato, no Equador. Sem Neymar, Gabigol e outros titulares, com uma formação montada para resistir aos 2.500 metros de altitude, o time segurou o Macará no empate sem gols e garantiu presença nas quartas de final da Copa Sul-Americana.
A atuação não foi aquela que o torcedor santista irá guardar entre as grandes apresentações da temporada. Nem precisava ser. Depois de vencer por 2 a 1 na Vila Belmiro, na semana passada, o Santos jogou com inteligência, já que bastava o empate para seguir na competição. O técnico Cuca abriu mão de qualquer aventura e escalou uma equipe reforçada no meio-campo, disposta muito mais a controlar espaços do que a oferecer espetáculo.

Santos das Copas
Se na ida o talento das estrelas fez a diferença, com Neymar participando dos dois gols e Gabigol chegando à histórica marca de 100 gols pelo clube, a volta exigiu outro tipo de protagonista. E ele estava no gol. Gabriel Brazão apareceu nos momentos em que o Macará conseguiu transformar sua necessidade em pressão. O time equatoriano teve mais iniciativa, empurrou o Santos para perto da própria área em alguns períodos e tentou aproveitar os efeitos da altitude. Encontrou, porém, uma defesa protegida e um goleiro seguro quando foi necessário.
O Santos pouco ameaçou nas incursões ao ataque. A prioridade estava evidente: não oferecer ao adversário o gol que mudaria o cenário emocional da eliminatória. O 0 a 0 pode parecer pequeno diante da tradição ofensiva construída pelo clube ao longo de sua história, mas vale muito para uma equipe que atravessa um ano de contrastes. No Campeonato Brasileiro, o Santos ainda precisa olhar com atenção para a parte de baixo da classificação. Nas copas, porém, o cenário é diferente: está entre os oito melhores da Copa do Brasil e agora também entre os oito sobreviventes da Sul-Americana.
É uma contradição que ajuda a explicar 2026. Enquanto tenta construir estabilidade no campeonato de pontos corridos, o Santos encontrou nos mata-matas uma forma de continuar alimentando ambições maiores. Na Copa do Brasil, eliminou o Remo e terá pela frente o Palmeiras em um clássico de enorme peso nas quartas de final. Na Sul-Americana, o próximo obstáculo será o Atlético-MG. Dois confrontos pesados. Duas possibilidades concretas de continuar brigando por taças.
Superar o histórico
A classificação no Equador ganha ainda outro significado histórico. O Santos igualou sua melhor campanha na Copa Sul-Americana. Antes de 2026, havia chegado às quartas de final em 2003, 2004 e 2021. Parou sempre ali. Cienciano, LDU e Libertad, respectivamente, impediram que o clube alcançasse uma semifinal. Agora, contra o Atlético-MG, terá uma quarta oportunidade. Para um clube tricampeão da Libertadores e acostumado a construir parte de sua grandeza internacional em território sul-americano, chama a atenção o fato de a Sul-Americana continuar sendo uma fronteira jamais ultrapassada.

Antes de pensar nisso, entretanto, existe uma realidade mais urgente. A decisão de preservar Neymar e Gabigol no Equador mostra onde estão as prioridades de Cuca neste momento. A classificação era importante, mas não poderia comprometer fisicamente os principais jogadores de um elenco que terá uma sequência decisiva no Brasileiro e, logo depois, o Palmeiras pela Copa do Brasil. Por isso, talvez a maior conquista da viagem a Ambato tenha sido voltar com a vaga sem precisar recorrer às estrelas.
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Em uma temporada na qual tantas vezes dependeu delas para encontrar soluções, o Santos mostrou que também sabe passar de fase como time copeiro. Não houve brilho, goleada ou atuação memorável. Houve organização, Brazão, sofrimento e classificação. Para quem ainda procura estabilidade, continuar vivo em duas copas está longe de ser pouco.





