O Palmeiras chegou a setembro diante de uma situação que Abel Ferreira conhece bem, mas que ganhou uma dimensão maior nesta temporada: encontrar soluções para um elenco que perdeu peças importantes, convive com lesões e ainda não conseguiu transformar a força da base em alternativas prontas para o time principal. A vitória sobre o Santos por 3 a 0, pela Copa do Brasil, escondeu durante alguns dias um problema que voltou a aparecer no jogo com o Mirassol. O calendário não permite que Abel tenha um time ideal à disposição em todas as partidas. E algumas alternativas não vão funcionar, como a aposta em Paulinho.

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A saída de Allan para o Manchester City é o exemplo mais evidente. O jogador, de apenas 22 anos, foi titular em 36 dos 48 jogos do Palmeiras neste ano e deixou uma lacuna no setor. Arias se machucou. O clube tinha de vender o garoto. O dinheiro era bom (R$240 milhões), mas e agora? Como ganhar os títulos que o torcedor espera? A direção decidiu não fazer uma reposição direta e aposta em alternativas internas, como Maurício e Felipe Anderson. É suficiente para Abel avançar na Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores? O Palmeiras vai correr o risco de seguir sem reforços?

Abel Ferreira precisa tomar uma decisão em conjunto com os seus pares da diretoria do Palmeiras / Palmeiras

O problema é que as soluções internas não estão todas disponíveis ao mesmo tempo. Arias, por exemplo, teve um trauma no pé e depois sofreu uma lesão na coxa direita, enquanto Piquerez e Barboza também passaram por problemas físicos recentes. Os três voltaram a treinar com o grupo nesta semana, mas a sequência de jogos exige cuidado. Paulinho passou por um longo período de recuperação e não está pronto. Talvez nem jogue mais neste ano. Vitor Roque está em baixa. Fora de forma, inclusive. Ele operou o tornozelo.

A base não oferece muito

Há ainda uma questão que precisa ser encarada pelo Palmeiras: a base, desta vez, não conseguiu oferecer respostas na velocidade que o time profissional necessita. Ninguém vingou. O clube continua produzindo talentos para o mercado. Para o time, a safra é ruim. Vender jogadores formados em casa é diferente de prepará-los para substituir atletas que saem ou se machucam da equipe de Abel. Riquelme, por exemplo, teve 11 jogos no profissional sem gol ou assistência antes de ser negociado com o Inter Miami.

Isso não significa que a base tenha fracassado. Longe disso. Ela só não responde ao treinador neste momento, quando ele mais precisa. Abel precisa de jogadores capazes de entregar agora, e não apenas daqui a um ou dois anos. A própria estratégia do Palmeiras tem sido dar espaço aos jovens antes de buscar novas contratações.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras: a decisão de ter reforços agora passa pelo caixa do clube / Agência Palmeiras

Por isso, o mercado deveria voltar à pauta. Não para contratar por contratar nem para transformar o Palmeiras em um comprador compulsivo ou fazer birra para rivais como o Flamengo. Mas para encontrar soluções para os próximos meses. A janela brasileira ainda está aberta até 11 de setembro, e o clube segue atento às oportunidades. Depois de arrecadar cerca de R$ 1,7 bilhão com vendas nos últimos dois anos, o Palmeiras tem musculatura para fazer movimentos importantes. Basta querer. Há uma conta maior para pagar neste ano, mas a presidente Leila Pereira é “criativa” para arrumar soluções.

Déficit de R$ 124 milhões

O Palmeiras encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 124 milhões, enquanto o orçamento previa R$ 400 milhões em vendas de atletas para o ano. A negociação de Allan ajudou a aproximar o clube da meta e trouxe alívio ao caixa, mas não significa que todo o valor recebido possa ser transformado em novas contratações. Havia aqueles R$ 30 milhões que o clube queria dar em Danilo, do Botafogo. Há compromissos financeiros e parcelas de negócios anteriores, como Andreas Pereira e Vitor Roque, que também precisam ser pagos. Tudo isso pesa na hora de decidir.

Ainda assim, existe uma diferença entre gastar sem critério e investir para proteger uma temporada. O Palmeiras disputa Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. É neste momento que a profundidade do elenco passa a valer tanto quanto a qualidade dos titulares. Abel já mostrou inúmeras vezes capacidade para encontrar soluções, mudar posições e adaptar o sistema. Mas ele parece desgastado e sem saída. Ele já viu esse filme antes. Faz parte do seu papel desviar o time do caminho do fracasso, que ele também conhece nio futebol brasileiro. E suas mazelas.

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O Palmeiras construiu nos últimos anos uma das estruturas mais eficientes do futebol brasileiro. A base virou fonte de talentos e também de receitas extraordinárias. Agora, porém, a lógica precisa funcionar nos dois sentidos: se a base não consegue entregar, o mercado precisa complementar o trabalho. O clube não precisa fazer uma revolução no elenco. Precisa identificar onde está curto e agir enquanto a janela não fecha.

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