O Palmeiras tinha mais time, jogava em casa e enfrentava um São Paulo com os reservas. Ainda assim, precisou de uma expulsão para transformar a superioridade que existia no papel em domínio dentro de campo. Depois do cartão vermelho para o jovem zagueiro Osorio, aos 39 minutos do primeiro tempo, o clássico mudou de direção. Murilo abriu o placar ainda antes do intervalo, Vitor Roque ampliou logo no começo da etapa final e o 2 a 0 recolocou o time alviverde na liderança provisória do Campeonato Brasileiro.
Foi uma vitória importante, muito mais pelo que representa na tabela do que pelo futebol apresentado. Sem o técnico Abel Ferreira, suspenso pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), o auxiliar João Martins comandou uma equipe próxima do que o Palmeiras tem de melhor à disposição. A prioridade era clara. Depois de perder a liderança para o Flamengo, o time não poderia desperdiçar um clássico em casa, mesmo estando entre os dois compromissos decisivos contra a LDU pelas quartas de final da Libertadores.

Palmeiras aproveita vantagem
Do outro lado, a escolha foi diferente. Dorival Júnior preservou os titulares pensando na terça-feira, quando o São Paulo receberá o Boca Juniors no Morumbis com a missão de reverter o 1 a 0 sofrido na Bombonera pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. Era, portanto, um Choque-Rei entre um time disposto a tratar o Brasileiro como prioridade e outro com a cabeça dividida com a competição continental.
A diferença das escalações, porém, demorou a aparecer. O primeiro tempo foi ruim. Muito disputado, pouco jogado e com raríssimas situações realmente perigosas. O Palmeiras tinha mais presença no campo ofensivo, mas encontrava dificuldades para acelerar. O São Paulo, mesmo com uma formação alternativa, conseguia fechar espaços, diminuir o ritmo do adversário e deixar o clássico desconfortável para quem esperava uma imposição alviverde desde os primeiros minutos.
Até que Osorio mudou a partida. Aos 39 minutos, o defensor são-paulino entrou forte em Piquerez. Inicialmente advertido com o cartão amarelo, acabou expulso depois que Rafael Rodrigo Klein foi chamado pelo VAR para rever o lance. O São Paulo, que até então conseguia executar seu plano de sobreviver ao clássico sem conceder espaços, passou a enfrentar uma tarefa muito mais complicada.
E o Palmeiras não demorou a aproveitar. Aos 46 minutos, uma combinação curiosa formada por três defensores desmontou a resistência tricolor. Giay apareceu pela direita e levantou na área. Gustavo Gómez ganhou pelo alto e colocou a bola no caminho de Murilo, que completou para o gol. Era o lance que o Palmeiras procurara durante todo o primeiro tempo. E surgiu justamente quando a partida já parecia caminhar para o intervalo sem gols.
Classico decidido
O segundo tempo começou com o clássico sendo encerrado. Aos cinco minutos, o Palmeiras recuperou a bola no campo ofensivo, acelerou a jogada e Vitor Roque apareceu para marcar o segundo. Com 2 a 0 no placar, um jogador a mais e diante de um adversário recheado de reservas, restava saber até onde o time alviverde estaria disposto a levar sua superioridade.
Não levou muito longe. A partir daí, o Choque-Rei perdeu quase todo o caráter competitivo. O São Paulo não tinha razões para se lançar ao ataque e correr o risco de transformar uma derrota administrável em goleada às vésperas da decisão mais importante de sua temporada. E o Palmeiras, embora continuasse encontrando espaços, também reduziu a intensidade.
Houve chances para ampliar. Vitor Roque poderia ter feito mais um. Flaco López também desperdiçou boa oportunidade. O Palmeiras circulava a bola diante de um adversário que já pouco pressionava, enquanto as arquibancadas entravam no clima de “olé”. Faltou, porém, agressividade para transformar uma situação extremamente favorável em uma vitória mais contundente.
Pressão para os dois lados
O Palmeiras saiu com aquilo de que realmente precisava: os três pontos. Chegou aos 56 pontos e assumiu a primeira colocação, dois à frente do Flamengo, que entra em campo neste domingo contra o Corinthians, no Maracanã. Como o adversário carioca tem uma partida a menos, o cenário cria uma situação curiosa para o torcedor alviverde: depois de fazer sua parte no sábado, resta torcer pelo maior rival estadual para permanecer na liderança ao término da rodada.
O clássico também ampliou uma sequência que começa a ganhar contornos históricos. O São Paulo não vence o Palmeiras desde 13 de julho de 2023, quando ganhou por 2 a 1 no então Allianz Parque e eliminou o rival nas quartas de final da Copa do Brasil. Desde aquela noite, são agora 13 Choque-Reis de invencibilidade alviverde, com nove vitórias e quatro empates. Além disso, o Palmeiras chegou à sétima vitória consecutiva sobre o São Paulo. A vitória estabelece a maior série de vitórias consecutivas de um clube sobre o outro na história do Choque-Rei.

Mais do que o tabu, entretanto, o calendário não permite ao Palmeiras desfrutar muito da vitória. A partir de agora, o foco muda completamente. Na quarta-feira, o time estará em Quito para decidir contra a LDU uma vaga na semifinal da Libertadores. Depois do triunfo por 1 a 0 no primeiro confronto, o Palmeiras joga pelo empate, mas terá de administrar viagem, desgaste acumulado e os efeitos dos 2.850 metros de altitude da capital equatoriana. E fará isso sem Gustavo Gómez, suspenso.
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O São Paulo também não terá tempo para lamentar. As duas vitórias consecutivas sobre Red Bull Bragantino e Atlético-MG haviam devolvido tranquilidade ao time no Brasileiro. Agora são duas derrotas seguidas considerando todas as competições: Boca Juniors e Palmeiras. No Morumbis, diante do Boca, o São Paulo terá sua escolha colocada à prova. Precisa vencer por dois gols de diferença para avançar diretamente ou por um para levar a decisão aos pênaltis.





