Ronaldo Nazário chegou aos 50 anos carregando um apelido que se transformou em sobrenome esportivo: Fenômeno. Nascido em 18 de setembro de 1976, no Rio de Janeiro, mas registrado quatro dias depois, em 22, Ronaldo foi muito mais do que um atacante de enorme capacidade técnica e de finalização. Nunca foi amigo de goleiros ou de marcadores. Foi um jogador capaz de transformar velocidade, força, drible e técnica em uma combinação que marcou uma geração e ajudou a redefinir o papel do camisa 9 no futebol. “O futebol sempre foi a minha alegria”, dizia.
Sua história é também a de um jogador que precisou reconstruir a própria carreira depois de algumas das mais graves lesões que um atleta pode enfrentar. “Graças às lesões, fui melhor em tudo.”

O cinquentão Ronaldo ainda tem carisma. Ele carrega a fama de “midas” do futebol brasileiro. Porque onde Ronaldo sempre colocou as mãos deu frutos e riquezas. Mas foi dentro de campo, que ele fez as pessoas mais felizes, independentemente da camisa que usava. Poderia ser a do Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão ou Real Madrid. Ronaldo era uma máquina de fazer gols e gols bonitos. Quando ele chegava nos hotéis, seu carisma era absurdo. As crianças o adoravam. Ele sempre pareceu e ainda parece ter acabado de acordar. Sempre teve a fala mansa e muita atenção ao que estava acontecendo ao seu redor.
Ronaldo era disciplinado
Ronaldo envelheceu dignamente no futebol. Ele sempre tentou alertar os colegas para que guardassem parte de suas economias. Uma de suas empresas fazia exatamente isso e oferecia esse trabalho a outros atletas. Ele próprio sempre disse que investia o seu dinheiro com cautela e pés no chão. A sua trajetória começou no Cruzeiro, onde o jovem atacante rapidamente chamou a atenção pelo talento e pela capacidade de fazer gols. No Brasileirão de 1993, então com 17 anos, ele fez cinco gols contra o Bahia, num deles foi esperto ao pegar a bola quando o goleiro Rodolfo Rodríguez a colocou no chão e não o viu.

É difícil dizer se Ronaldo planejou tudo o que aconteceu em sua carreira, mas é fato que ela só cresceu desde que deixou Minas Gerais. Ele começou em São Gonçalo, no Rio. Mas ainda adolescente, Ronaldo atravessou o Atlântico e foi para o PSV Eindhoven, na fria Holanda, onde continuou a sua evolução. Depois vieram Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians. Em cada parada, deixou marcas diferentes e muito brilho. “O talento é importante, mas sem disciplina e entrega, ele não é nada.”
Melhor do mundo da Fifa
No Barcelona, ganhou projeção mundial; na Inter, tornou-se uma das maiores estrelas do futebol europeu; no Real Madrid, integrou os chamados Galácticos; e, no Corinthians, encerrou a carreira como protagonista de títulos e como um dos maiores ídolos recentes do clube. Jogou pelo time do Parque São Jorge fora do peso, mas nunca deixou que isso o atrapalhasse. Viveu alguns casamentos, teve filhos que não seguiram o seu caminho e sempre pareceu um “cara” feliz com a vida.

Foi na Europa que o apelido Fenômeno ganhou dimensão internacional. Ronaldo tinha uma característica que assustava os defensores: conseguia arrancar com a bola, mudar de direção em velocidade e finalizar com os dois pés. Não havia outro como ele. Não era apenas um homem de área. Podia receber longe do gol, carregar a bola, driblar adversários e aparecer novamente para concluir a jogada. A passagem pela Internazionale foi especialmente simbólica. Em 1997, foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa, e o reconhecimento ajudou a consolidar a imagem de um atacante que parecia estar em uma categoria própria. Ganhou também em 1996, aos 20 anos, e depois em 2002, quando foi campeão do mundo pela segunda vez. Mas agora como protagonista.
Na seleção
A história de Ronaldo com a seleção começou cedo também. Em 1994, aos 17 anos, ele fez parte do grupo que conquistou o tetracampeonato nos Estados Unidos, em 1994, embora não tenha entrado em campo. Quatro anos depois, na França, já era a principal referência ofensiva brasileira e terminou o Mundial como um dos grandes nomes da competição, apesar do drama vivido antes da final contra os franceses, quando teve uma convulsão inexplicável na véspera da partida. A Copa de 1998 terminou com o Brasil vice-campeão, mas Ronaldo havia se transformado definitivamente em uma estrela mundial.

O capítulo mais extraordinário, entretanto, viria em 2002. Depois de duas graves lesões no joelho e de quase dois anos convivendo com problemas físicos, Ronaldo chegou à Copa da Coreia do Sul e do Japão cercado de dúvidas. Luiz Felipe Scolari apostou no atacante, e a resposta veio em campo. Ele trabalhava mais do que os outros atletas. Chegou ao Mundial machucado, com o joelho fraco, mas nunca desistiu. Felipão foi usando Ronaldo gradualmente nas partidas, primeiramente na Coreia e depois no Japão. Ronaldo marcou oito gols naquela Copa, terminou como artilheiro do Mundial e fez os dois gols da vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Alemanha na final de Yokohama. Era a consagração do Fenômeno e, ao mesmo tempo, uma das maiores histórias de superação da história dos Mundiais. “A maior vitória é levantar depois da queda.”
Dois gols na final da Copa
Aquela Copa fez do Brasil o único país cinco vezes campeão mundial. O gol de bico contra a Turquia, na semifinal de 2002, entrou para a memória do futebol também. Ronaldo chegara ao torneio sem a mesma condição física de antes, mas encontrou maneiras diferentes de continuar sendo decisivo. Cortou o cabelo ao estilo Cascão, de Maurício de Souza, para mudar o foco de sua condição física. Na final, diante de Oliver Kahn, marcou duas vezes e levou o Brasil ao quinto título mundial. Com os oito gols de 2002, terminou como Chuteira de Ouro da competição. Ao todo, Ronaldo disputou quatro Copas do Mundo, marcou 15 gols em Mundiais e se tornou, durante anos, o maior artilheiro da história do torneio da Fifa. Atualmente, continua sendo o maior goleador do Brasil em Copas.
Depois do auge de 2002, ainda houve espaço para mais capítulos dentro de campo. Ele tinha 25 anos. Ronaldo passou pelo Real Madrid, onde conquistou títulos importantes, e pelo Milan, antes de retornar ao Brasil para vestir a camisa do Corinthians numa negociação que poucos duvidavam. No clube paulista, mesmo já distante do auge físico, mostrou a mesma capacidade de decidir. Foi campeão estadual e da Copa do Brasil em 2009 e encerrou a carreira em 2011, aos 34 anos. “Estou aqui para falar que estou encerrando a carreira como jogador profissional. E dizer que essa carreira foi linda, maravilhosa e emocionante.”
Ronaldo sempre deu o seu recado
Pela seleção, terminou com 105 jogos e 67 gols. Sua trajetória reúne títulos, prêmios individuais, gols históricos e uma capacidade rara de retornar depois de situações que pareciam capazes de interromper sua carreira. Era um fenômeno em campo, mas também sempre foi fora dele. Ele levou para a Europa um pedacinho de orgulho de muitos brasileiros. “Carrego o peso de ser o que sou e a responsabilidade que isso me traz, não é? Então, eu uso as entrevistas para passar a mensagem que quero.”
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Aos 50 anos, Ronaldo representou uma época do futebol em que o camisa 9 podia ser, ao mesmo tempo, artilheiro, criador e protagonista. O Fenômeno deixou uma marca que ultrapassa os números: a imagem do atacante arrancando em direção ao gol, passando pelos zagueiros e finalizando antes que a defesa pudesse reagir. Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians foram capítulos de uma carreira extraordinária, mas as duas Copas — a de 1994, quando era um garoto no grupo campeão de Parreira, e a de 2002, quando voltou das lesões para decidir o Mundial — ajudam a explicar o tamanho de Ronaldo. Ele não foi apenas um dos grandes atacantes brasileiros.
Foi um fenômeno
Foi um Fenômeno que transformou a própria história em parte da história do futebol mundial. Ronaldo tem as portas da Fifa abertas para ele e o respeito dos melhores jogadores que o futebol já viu em ação, Sua presença jamais será despercebida.





