A passagem de José Martínez pelo Corinthians acabou de maneira melancólica. A anunciada rescisão de contrato de forma “amigável” é um eufemismo para classificar o que, na prática, se constituiu em um problema mal resolvido — e que ainda poderia gerar consequências econômicas e prejuízos legais para as partes. O fato é que o atleta sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo durante o período de férias e tinha vínculo com o clube até 31 de dezembro de 2027.

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Martínez não se reapresentou com o elenco no início da temporada de 2026, alegando problemas na emissão de um novo passaporte enquanto estava na Venezuela. Porém, imagens divulgadas mostram o jogador participando de um jogo festivo em seu país, utilizando proteção no joelho e com dificuldades para caminhar, o que gerou forte insatisfação interna.

 

Final da novela: Martínez deixa o Corinthians após vários dias de atraso na reapresentação e com uma lesão / Corinthians

Ao se reapresentar, com vários dias de atraso, trouxe o diagnóstico da grave lesão. A partir dali, o caso deixou de ser apenas disciplinar e passou a ser jurídico. Internamente, o Corinthians cogitou a rescisão por justa causa, o que reduziria significativamente os encargos financeiros. Mas esse caminho se mostrou arriscado diante das leis trabalhistas brasileiras. O jogador alegava que a lesão era decorrente de compromissos oficiais da temporada anterior — tese difícil de ser desconstituída sem prova técnica inequívoca.

Imprudência e direito

Além disso, há uma variável incontornável: é extremamente complexo sustentar que um atleta não possa exercer seu direito de fazer o que bem entender durante as férias, ainda que isso inclua um jogo de futebol. Qualquer atividade no período de descanso — de um esporte recreativo a um passeio considerado de risco — pode resultar em lesão. A fronteira entre imprudência e direito individual é juridicamente sensível.

Diante desse cenário, prevaleceu o pragmatismo. O acordo firmado prevê que o clube auxiliará na recuperação do atleta e arcará com parte dos salários ao longo de 2026, enquanto o jogador abre mão do que teria a receber em 2027. Não é o desfecho ideal para o Corinthians, que via no contrato longo uma proteção de ativo. Tampouco é o cenário perfeito para o atleta, que encerra de forma turbulenta sua trajetória no clube.

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Chamar de “amigável” atende ao protocolo corporativo. Na prática, foi a solução possível.
E, diante das alternativas — uma disputa judicial longa, cara e de resultado imprevisível —, talvez tenha sido simplesmente a opção menos pior.

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