O Palmeiras enfrenta o Santos, nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro, com uma vantagem que permite quase tudo, menos relaxar. Depois da vitória por 3 a 0 no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil, no Nubank Parque, o time de Abel Ferreira pode perder por até dois gols de diferença e ainda avançar à semifinal. Se for derrotado por três gols, a decisão vai para a cobrança de pênaltis. O cenário parece confortável, mas não é. O treinador tem um exemplo recente para mostrar ao elenco sobre os riscos de confiar demais em um placar elástico.
Há quase um mês, o Palmeiras viveu situação idêntica na própria Copa do Brasil. Nas oitavas de final, venceu o Fortaleza por 3 a 0 no primeiro confronto, no Nubank Parque, e foi para Cuiabá, longe da pressão do Castelão no Ceará, com enorme margem de segurança. Classificou-se, mas perdeu a volta por 3 a 2 e deixou Abel incomodado com o desempenho da equipe.

Mais do que o resultado, a avaliação do português naquela noite funciona agora como um recado pronto para o clássico. “Não tive arte nem engenho para os mobilizar”, reconheceu Abel após o jogo contra o Fortaleza. Pouco depois, resumiu ainda melhor o problema: o Palmeiras não havia entrado com a sua “máquina competitiva ligada”.
Sem desligar na Vila
É essa chave que o treinador precisa evitar que fique desligada na Baixada. A diferença é que, desta vez, o rival tem ainda mais qualidade técnica, o apoio dos seus torcedores, para transformar qualquer início desconcentrado em pressão. O Santos terá Neymar, ausente do primeiro confronto, e, assim, o time deve ter força máxima na tentativa de uma reação. Cuca decidiu escalar o que possui de melhor, apesar de a prioridade santista na temporada estar direcionada ao Campeonato Brasileiro.
Isso significa que o primeiro objetivo palmeirense será menos ampliar o placar agregado e mais impedir que o clássico ganhe vida. Um gol santista nos primeiros minutos é tudo que o Santos vai buscar para tirar a condição confortável do Palmeiras e alterar o ambiente da Vila para um caldeirão de alta pressão. Com a torcida ainda mais acesa no jogo, o Santos ganharia confiança e uma eliminatória com ares de resolvida passaria a exigir controle emocional. Não por acaso, a experiência contra o Fortaleza deixou um aprendizado que vai além do placar.
Palmeiras sem rodízio
Naquela volta das oitavas, Abel aproveitou a vantagem para observar jogadores e rodar o elenco. Depois, assumiu que dos objetivos estabelecidos para o duelo, a vitória, havia ficado pelo caminho. A classificação veio por 5 a 3 no agregado, mas acompanhada de uma cobrança pública pela falta de concentração. Agora, o discurso mudou. Logo depois do 3 a 0 sobre o Santos, Abel foi categórico e anunciou que vai escalar o que tiver de melhor: “Não vou poupar ninguém. Vamos apostar em todas as competições”.
A frase ganha ainda mais peso pelo contexto físico do Palmeiras. O gripo atravessa uma sequência pesada de compromissos e vem sofrendo com problemas físicos. Arias e Piquerez, que ficaram fora do empate com o Mirassol pelo Brasileiro, voltaram a participar de parte dos trabalhos com o time e devem ser titulares. Barboza também avançou na recuperação. Ao mesmo tempo, Abel precisa administrar um elenco que disputa Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.
O empate com o Mirassol serviu para reforçar a necessidade de recuperar intensidade. Após abrir vantagem importante na liderança do Brasileirão, o Palmeiras viu a distância para o Flamengo cair para quatro pontos, que pode diminuir para um, caso o rival, também nesta quarta-feira, derrote o Mirassol, no Maracanã. Ou seja, mesmo quando o calendário parece oferecer algum espaço para controle de esforço, a temporada insiste em cobrar concentração máxima.






