Cenário perfeito.
Mais de 70 mil pessoas ocupando cada espaço do Mané Garrincha. Na tribuna, um espectador especial: Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira.

Corte rápido.
Um segundo tempo tenso, carregado de nervos e lances de emoção no final.

Plano fechado: na volta do intervalo, juiz expulsa Carrascal após revisão no vestiário. Uma expulsão capaz de mudar o jogo, o clima e o roteiro.

Plano final.
Um passe de calcanhar de Kaio César, estreante.
A bola encontra Yuri Alberto.
Chapéu no goleiro.
Gol antológico. Tudo isso depois de Lucas Paquetá, o jogador mais caro do Brasil, perder dentro da pequena área a chance do empate.

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Nenhum roteirista de cinema pensaria em tantos ângulos para dar emoção e relevância ao jogo que decidiu a Supercopa Rei a favor do Corinthians. Diante de um Mané Garrincha tomado por mais de 70 mil pessoas, em Brasília, o time paulista venceu o poderoso Flamengo por 2 a 0 e levantou um título que, no papel, parecia improvável.

Corinthians ganhou do Flamengo por 2 a 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto, e faturou a Supercopa / Corinthians

Mais uma vez prevaleceu a fé corintiana naquele algo mágico, meio inexplicável, que faz a torcida bater no peito e desafiar os adversários com a provocação que atravessa gerações: nunca duvidem do Corinthians. Quem duvidou, engoliu outro troféu. Um título que soava improvável diante do desnível técnico entre os elencos — de um lado, o campeão brasileiro; do outro, o vencedor da Copa do Brasil.

Com Paquetá e tudo

O Flamengo, estrelado, dominante no discurso do mercado, reforçado por Lucas Paquetá por mais de 40 milhões de euros, caiu diante de um Corinthians que jogou a decisão como Corinthians: amor à camisa, faca nos dentes, sangue nos olhos e o coração na ponta da chuteira. Mas reduzir a vitória à mística seria pouco.

Carrilo, Garro e Matheuzinho: trio do Corinthians campeão da Supercopa do Rei diante do Flamengo / Corinthians

O Corinthians venceu, sobretudo, pela maturidade. Foi um time organizado, consciente de suas virtudes e limitações, fiel a um plano de jogo bem executado — inclusive quando precisou reconhecer a inferioridade técnica em determinados momentos. Ganhou de 2 a 0, teve um gol anulado sem revisão por falha do VAR, uma bola na trave e ainda criou chances para ampliar.

Méritos de Dorival

Méritos claros de Dorival Júnior, que teve coragem ao escalar o time e deixar Rodrigo Garro no banco, permitindo que Breno Bidon assumisse, mais uma vez, o protagonismo. Contra o Flamengo — mesmo em momento irregular — nunca é simples se impor. O Corinthians se impôs, construiu o resultado e depois fez o jogo correr no ritmo que lhe convinha, na catimba, no controle emocional, no seu jeito histórico de competir.

O título também se explica pelo aspecto humano. Muitos jogadores entraram em campo debilitados por uma virose. Yuri Alberto passou os dias anteriores mal, sem condições ideais, e ainda assim decidiu. Ao fim, resumiu a noite: “Deus é bom demais comigo”.

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A Supercopa não redefine hierarquias de mercado nem apaga diferenças técnicas. Mas lembra, com força, que o futebol não se escreve apenas com cifras ou projeções. Às vezes, ele se resolve na execução, na coragem — e nessa estranha capacidade que o Corinthians tem de transformar improbabilidade em título.

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