Difícil imaginar que, há menos de um mês, o São Paulo vivia às portas do inferno. Presidente renunciando para não sofrer impeachment, polícia investigando falcatruas administrativas e um time cambaleante no início do Paulistão, flertando com o medo do rebaixamento. O clube parecia refém do próprio caos. Pois esqueça esse cenário.

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O São Paulo temido, e respeitado, está de volta. Com ajustes dentro e fora de campo, o Tricolor reencontrou o rumo, voltou a encher sua torcida de orgulho e protagoniza uma reabilitação incontestável: são cinco jogos seguidos sem derrota e, acredite, a liderança momentânea do Campeonato Brasileiro, com sete pontos em nove disputados. A vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio, na noite desta quarta-feira, no Morumbis, confirma a virada de chave e dá ao torcedor o direito de sonhar com um ano bastante promissor.

Lucas abriu o placar com um gol de pênalti no primeiro tempo: São Paulo ganhou do Grêmio por 2 a 0 / São Paulo FC

Domínio absoluto no Morumbis

O placar, aliás, foi modesto demais para o que se viu em campo. A superioridade do São Paulo foi ampla, clara e indiscutível. Um gol anulado pelo VAR, um pênalti desperdiçado por Luciano e uma série de chances claras perdidas impedem que o resultado entre para a história como goleada. Mas ela esteve ali, rondando o jogo o tempo todo. Não teria sido injustiça alguma.

É verdade que o Grêmio de Luís Castro fez uma exibição muito abaixo da crítica, longe do futebol que levou a equipe gaúcha à goleada por 5 a 3 sobre o Botafogo na rodada passada. Mas isso não diminui o mérito do São Paulo, que simplesmente não deixou o Grêmio jogar. O Tricolor encaixou uma marcação precisa, tomou conta do meio-campo e comandou a partida desde o apito inicial. Na etapa final, com um jogador a menos logo aos dois minutos, o time gaúcho ficou ainda mais exposto à ampla e nítida superioridade tricolor.

O duelo tático e o brilho individual

Curioso é que os dois treinadores optaram pelo mesmo sistema tático, o que hoje chamamos de times espelhados: três volantes e um meia de ligação servindo dois atacantes. A diferença esteve na execução. Os volantes do Grêmio não conseguiam passar do meio-campo; os do São Paulo deram uma verdadeira aula de futebol moderno. Especialmente Danielzinho e Marcos Antônio, que desequilibraram o jogo.

Marcos Antônio faz mais uma boa partida no São Paulo: vitória em casa sobre o Grêmio e topo da tabela / SPFC

Por sinal, Marcos Antônio merece atenção especial. Pelo padrão de excelência que vem apresentando, deveria ser nome certo nas próximas convocações da seleção brasileira. É o típico “motorzinho” do time: está em todos os lugares do campo, incansável, intenso e, acima de tudo, talentoso.

O retorno do trio de peso

E como na boa fase as coisas positivas brotam em escala, a noite também foi palco para uma grande exibição do trio Lucas–Luciano–Calleri. Com eles em campo, o São Paulo muda de patamar e se credencia, sem exagero, a brigar por títulos na temporada. Dentro desse contexto de noite quase perfeita, a vitória foi construída pouco a pouco. Boas combinações, jogadas desenhadas na prancheta de Hernán Crespo, nada acontecendo por acaso. O São Paulo sabia o que fazer com a bola no pé e sabia, talvez ainda melhor, como impedir o Grêmio de jogar quando não estava com ela.

Calleri, Luciano e Lucas

A superioridade já se impunha na primeira etapa. Com Lucas, Luciano e Calleri juntos entre os titulares pela primeira vez na temporada, o Tricolor tomou as rédeas da partida e ficou perto de abrir larga vantagem ainda antes do intervalo. O gol saiu dos pés de Lucas. Aos 23 minutos, o camisa 7 cobrou pênalti; Weverton acertou o canto, mas não evitou o gol. Aos 35, Calleri chegou a marcar após lançamento de Marcos Antônio, mas o gol foi anulado por impedimento. Nos acréscimos, Luciano tabelou com Calleri e finalizou rente à trave.

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No segundo tempo, o Grêmio tentou se reorganizar em busca de um confronto mais equilibrado, mas o plano durou pouco. Aos dois minutos, a expulsão do zagueiro Wagner Leonardo desmontou qualquer reação. Não demorou para o São Paulo ampliar. Aos 12, Calleri marcou: Lucas Ramon roubou a bola no campo defensivo, puxou o contra-ataque, tabelou com Lucas e serviu Luciano, que encontrou o argentino livre dentro da pequena área. Sem chance. Contra-ataque de almanaque.

Consolidação e liderança

Luciano ainda desperdiçou outro pênalti — Weverton defendeu — e o São Paulo seguiu empilhando oportunidades. Na mais inacreditável delas, Tapia errou o alvo quase em cima da linha, após a bola bater na trave e ficar à feição. A goleada não veio, mas a quinta vitória pós caos estava consolidada. Para alegria e esperança da torcida, que se apega à velha máxima: onde a perna não chegar, o coração vai alcançar. Segue o líder.

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