Irresponsabilidade, prepotência, vaidade, egoísmo, falta de profissionalismo. As palavras se acumulam desde domingo à noite para tentar explicar a escolha de Yuri Alberto ao cobrar um pênalti de cavadinha contra o Flamengo. O erro grotesco — porque não há termo mais adequado — contribuiu para a derrota do Corinthians em um jogo que poderia ter saído vencedor, e abriu uma ferida difícil de cicatrizar na relação entre jogador e torcida.

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Até então, Yuri vinha sendo valorizado pela entrega, pelo espírito coletivo e pela disposição em superar lesões e más fases. Era a chance perfeita de se consagrar em Itaquera, mas o atacante preferiu arriscar um recurso que não combina com sua história, tampouco com a gravidade do momento. O resultado foi uma caricatura: a bola entregue a um goleiro especialista em pênaltis, Agustín Rossi, herói recente de classificações flamenguistas justamente nesse tipo de disputa.

Mesmo perdendo penâlti, Yuri Alberto marcou o gol do Corinthians, na Arena, diante do Flamengo – Meu Timão

Esse detalhe torna a decisão ainda mais incompreensível. Se há algo que Yuri não podia fazer era tentar um gesto de ousadia que, quando dá certo, rende aplausos passageiros, mas quando dá errado, vira estigma. A conta é simples: o prêmio é pequeno, a punição é devastadora. E o futebol está cheio de exemplos de como a cavadinha pode ser um atalho para o abismo. Alexandre Pato, por exemplo, ainda hoje é lembrado mais por uma cobrança irresponsável do que pelos gols que marcou. Nem Memphis Depay escapou dos julgamentos implacáveis quando também fez essa bobagem diante do Mirassol.

Foi a primeira vez diante do Fla

Yuri já havia desperdiçado um pênalti em clássico com o Palmeiras em abril. A responsabilidade, portanto, deveria pesar mais na decisão. E não se trata apenas do risco técnico, mas do simbolismo. Uma cobrança dessas exige frieza absoluta, confiança inabalável e uma técnica refinada que não se improvisa. Poucos, como Djalminha em seu auge, tiveram essa maestria. Yuri não é desse grupo — e, ao insistir num recurso que não domina, expôs não só a si mesmo, mas também o trabalho coletivo de toda a equipe.

É por isso que o lance ainda repercute 48 horas depois. A cavadinha perdida não será esquecida tão cedo. Vai acompanhar Yuri como uma marca que só o tempo e, principalmente, decisões melhores poderão apagar. Até lá, o atacante precisará de estrutura emocional para suportar a avalanche de críticas. O Corinthians e sua torcida já mostraram que não têm paciência para reincidências nesse tipo de erro.

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No fim das contas, a pergunta que fica é simples: vale mesmo a pena correr um risco tão alto em nome de uma jogada de efeito? O futebol é espetáculo, mas também é responsabilidade. E no domingo, em Itaquera, Yuri confundiu espetáculo com vaidade. E pagou caro.

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