Na noite desta quinta-feira, o Corinthians protagonizou mais um capítulo constrangedor da sua grave crise financeira. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o diretor financeiro Emerson Piovesan confirmou, sem rodeios, que o clube não cumpriria o vencimento da primeira parcela de um acordo milionário firmado no CNRD — o tribunal da CBF que intermedia a resolução de dívidas no futebol brasileiro. A justificativa? Simples: não havia dinheiro em caixa. A frieza da declaração talvez seja mais alarmante do que o próprio calote.
Seja um parceiro comercial do The Football
Estamos falando de uma parcela de ao menos R$ 4,5 milhões, parte de um montante total de R$ 76 milhões renegociado com jogadores e clubes credores. O acordo previa pagamento em 24 parcelas trimestrais. A primeira venceu nesta quinta-feira, dia 17 de julho — e ficou em aberto. O clube tem até o dia 22, segundo o regulamento, para quitar o valor com atraso e evitar consequências mais severas. Entre elas, um possível transfer ban, ou seja, a proibição de registrar novos jogadores, o que agravaria ainda mais a situação esportiva e institucional.

Não é só mais um calote. É o retrato de um clube que se acostumou a conviver com a inadimplência como se fosse um traço do seu DNA recente. Um clube que perdeu o controle das contas — e também a vergonha de ser tratado como um mau pagador reincidente. O Corinthians naturalizou a condição de caloteiro solto na praça. Vende, antecipa receitas, consome agora o que deveria entrar só no ano que vem… e ainda assim segue sem fôlego. O dinheiro entra e desaparece como num ralo aberto, deixando para trás uma estrutura que não para de ruir.
Corinthians vive num caos
Depreende-se do relato sincero de Piovesan que o clube vive num caos. No aspecto financeiro, é uma nau à deriva, sem cronograma, sem plano de recuperação ou qualquer horizonte. Tudo é feito no improviso, no desespero, no modo “bombeiro”, como ele mesmo descreveu. Apagando incêndios aqui e ali, sem estratégia, sem planejamento e sem futuro.

Enquanto isso, os vexames extrapolam as planilhas e ganham as redes sociais. O Cuiabá, um dos credores — e dono de uma das dívidas mais volumosas, de R$ 18,5 milhões pela compra do volante Raniele —, ironizou publicamente a inadimplência alvinegra com uma “contagem regressiva” para o pagamento. E já prometeu acionar o CNRD pedindo a punição formal ao Corinthians. Seu presidente chegou a dizer que, em um país sério, o clube paulista já teria sido rebaixado por sua recorrência em atrasos.
Falência operacional
E o que fez o Corinthians diante da acusação? Silenciou. Piovesan não tentou sequer rebatê-la. Acusou o golpe. Admitiu a falência operacional do clube — que hoje, mesmo arrecadando mais de R$ 1 bilhão por ano, convive com uma folha de pagamento de mais de R$ 20 milhões por mês, sem saber quando, como ou com que recursos vai honrar seus compromissos.
Que perspectiva pode ter um clube nessas condições? Que segurança têm os jogadores para exercer sua profissão sabendo que o salário depende de malabarismos semanais? Como exigir comprometimento profissional em meio a uma relação trabalhista tão frágil?
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
A verdade é que o Corinthians hoje não oferece nem confiança a quem o segue nem respeito a quem dele cobra. Lamentavelmente, o clube já perdeu o caixa — e vai, aos poucos, perdendo a vergonha e a capacidade de indignar-se de sua própria tragédia.





