O doutor Moisés Cohen assinou um extenso documento sobre a situação clínica de Lucas Moura. O atacante do São Paulo não vai enfrentar o Corinthians no clássico deste sábado pelo Brasileirão, no Morumbis. Está machucado. O relato completo de Cohen você pode ler abaixo. Pode também entender da maneira que quiser porque não houve entrevistas para esclarecer a condição clínica de um dos jogadores mais importantes do clube, e também do futebol brasileiro. E há palavras técnicas. “… exames que demonstram sinais compatíveis com reorganização tecidual e reabsorção de edema residual.”
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O relatório é técnico e nada esclarecedor porque faltam explicações claras, para pessoas leigas, como o torcedor que paga ingresso para ver Lucas jogar. Uma vez um editor me disse que um relatório não é nada se ele não for explicado por quem o fez. O São Paulo cometeu esse erro.

Moisés Cohen é um médico que sabe o que está fazendo, mas ele não conversou com os jornalistas sobre Lucas. O relatório é frio como uma pedra de gelo. Trata a condição de Lucas como se ele fosse um robô e não o melhor jogador do time. Há no documento palavras que devem ser muito bem digeridas pela junta médica que trata do atacante no clube, mas totalmente inteligível para o leitor comum. Basta ler a nota e as explicações nas ordem que os fatos aconteceram.
Clube perde chance de explicar o caso
Anos atrás, um diretor de futebol do Palmeiras, Salvador Hugo Palaia, deu uma auto-entrevista no clube. Ele fazia as próprias perguntas para dar suas respostas. Foi uma piada, contada nos bastidores do Palmeiras até hoje. O que o São Paulo fez é parecido, tipo farinha do mesmo saco.
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O clube jogou nas redes um amontoado de explicações técnicas sobre a contusão de Lucas. Há muita esperança pela recuperação e volta do atleta. O torcedor adora Lucas e tem por ele muito respeito. Não houve entrevistas ou qualquer explicação das explicações. Há dúvidas. Na tentativa de ajudar, o São Paulo virou piada. Agiu de forma amadora e ridícula. Teria resolvido a situação com uma boa entrevista. No modo antigo, mas no modo certo.
O relatório Lucas Moura
Futebol Relatório médico – Lucas Moura
Calendário – 18/07/2025 – 13:38
1. Lesão Inicial
10/03/25
O atleta Lucas Moura sofreu, há aproximadamente quatro meses, uma lesão ligamentar parcial e estiramento da cápsula na região posterior do joelho direito. Após o primeiro evento traumático, foi estabelecido um protocolo de reabilitação baseado em diretrizes funcionais progressivas, com evolução satisfatória nos dois primeiros meses.
Após o atleta cumprir todos os critérios clínicos e funcionais, ele foi liberado para o retorno gradual às atividades com bola.
No entanto, no dia 06/05/25, durante a partida contra o Alianza Lima, o atleta sofreu um novo trauma que provocou recidiva do quadro inflamatório local e novo episódio de edema intra-articular, caracterizando uma reinjúria parcial. Seguiu-se o protocolo para a Reabilitação, inclusive com imobilizador temporário para tal tipo de lesão, sempre com boa evolução.
2. Situação Atual
Atualmente, o atleta apresenta-se em fase final de cicatrização, conforme evidenciado por exame de imagem (ressonância magnética recente), que demonstra sinais compatíveis com reorganização tecidual e reabsorção de edema residual.
Do ponto de vista funcional, Lucas Moura atingiu todos os marcos estabelecidos no protocolo de reabilitação, incluindo:
• Força muscular restaurada nos testes isocinéticos
• Mobilidade preservada
• Controle neuromuscular adequado
• Tolerância a cargas específicas de treino funcional e técnico
Entretanto, o atleta ainda refere incômodo álgico persistente na região posterior do joelho, principalmente durante gestos esportivos de alta exigência, principalmente na aceleração do arranque, que é uma de suas características.
3. Conduta Médica
Apesar da boa evolução cicatricial e funcional, a persistência da dor motivou a indicação de um procedimento médico intervencionista, programado para o dia 18 de julho de 2025, com o objetivo de alívio sintomático e otimização do retorno esportivo. A técnica será de injeção retrocapsular analgésica e anti-inflamatória na área dolorosa, guiada por ultrassom.
4. Considerações Finais
Ressaltamos que a evolução do quadro clínico do atleta está dentro dos parâmetros esperados para uma lesão ligamentar com recidiva parcial. A biologia do processo cicatricial varia individualmente e não pode ser rígidamente interpretada de forma matemática. O respeito ao tempo biológico é fundamental para garantir um retorno seguro e sustentável ao esporte de alto rendimento, o que só ocorrerá com a melhora dos sintomas referidos pelo atleta.
A equipe médica permanece atenta à evolução clínica do atleta e seguirá realizando reavaliações sistemáticas com foco na performance, segurança e longevidade da carreira esportiva de Lucas Moura.
Professor Dr. Moisés Cohen
CRM-SP 31863
Consultor Médico – São Paulo Futebol Clube





