Abel Ferreira repensa sua permanência no Palmeiras. E o que caminhava para uma renovação não deve mais acontecer. Ele ainda não assinou o contrato que recebeu da presidente Leila Pereira em janeiro com prazo de mais duas temporadas, até 2027, quando também termina o mandato da dirigente no clube. Nem deve assinar. Seu acordo vai até dezembro.
Abel não pediu para sair. Mas ser xingado pela torcida organizada com ódio e raiva, como aconteceu na derrota para o Corinthians, quarta-feira, no Allianz Parque, mexeu com o técnico português e com a sua família e deu a ele o argumento que precisava para ir embora sem olhar para trás. Foi a gota d’água. “Bem provável que não vai renovar em dezembro”, disse um conselheiro ao The Football.

Nada está decidido, mas Abel já sabia que o seu trabalho era contestado antes mesmo do Mundial de Clubes da Fifa. Ele não frequenta o clube, mas as informações chegam até ele. A diretoria espera que o passar dos dias possa secar as feridas abertas na eliminação para o rival na Copa do Brasil dentro de casa. A decisão é pessoal e ela passa também pelos sentimentos da família de Abel. Até então, tudo caminhava para a permanência do treinador. Mas ele e seu estafe repensam a decisão. Azedou.
Não é só o ódio da Mancha
Há argumentos que podem demovê-lo da decisão de ir embora. Quando a Mancha resolveu xingá-lo, o torcedor comum vaiou os organizados. Foi nessa hora que ele aplaudiu o gesto e negou que estava sendo irônico. Mas estava. Abel é assim. Ele teve naquele jogo dois auxiliares expulsos. Vítor Castanheira nunca quis ficar por mais tempo no Brasil. Ele não trouxe seus familiares para o país, mas tinha sido convencido pelo técnico de renovar com ele. Agora, tudo embaralhou novamente.
Abel é um treinador que pretendemos e com quem queremos renovar até dezembro de 2027. Quando a gente fala isso é quando o ciclo da presidente se encerra. E se o Abel entender e quiser, e ele já disse pra nós que tem essa vontade, ele vai continuar esse processo conosco.
Anderson Barros, diretor do Palmeiras
“O clima ficou pesado para Abel dentro do clube”, foi outra frase ouvida de pessoas próximas da presidente Leila. Abel não queria isso para ele. Não percebeu o desgaste. Nos corredores do clube, o nome do treinador começa a ser associado ao fim de linha. Seu tempo já teria passado. Mas isso não quer dizer que ele seja um péssimo técnico ou que tudo o que fez com o Palmeiras não tenha mais valor. Longe disso. Muitos falam que ele deveria ter uma estátua no clube como técnico mais vencedor.
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Esse desgaste não ocorreu nas outras renovações. Mesmo se ele assinar o novo contrato, Abel não dará garantias de sua permanência até o fim do acordo. Ele quer ter uma porta de saída aberta. Abel se convenceu depois de quarta-feira de que ele deveria ir embora. Mas, por ora, não há ofertas. Além das mágoas, Abel tem dificuldades para fazer o time jogar.
Libertadores ganha peso
Não há resistência ao seu trabalho no elenco e Leila acredita que a fase ruim vai passar. O tempo é curto. Ele sabe disso. Neste mês, o Palmeiras disputa vaga na Libertadores com o Universitário, do Peru. O time fez a melhor campanha da primeira fase. Mas não joga bem neste momento. Abel admitiu que a “fase é ruim”.





