Dois dias depois de perder para o Cruzeiro por 2 a 0, na Arena MRV, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, o Atlético-MG anunciou a saída de Cuca. A decisão, embora previsível diante do cenário, escancara mais uma vez como os clubes brasileiros insistem em transformar seus técnicos nos vilões preferenciais de filmes que nunca dão certo.
Nos últimos sete jogos, o Galo somou apenas uma vitória, um empate e cinco derrotas — 33,3% de aproveitamento. É um recorte ruim, sim, mas não o suficiente para apagar o contexto. Em sua quarta passagem, Cuca deixou o clube com 57% de aproveitamento (45 jogos, 22 vitórias, 11 empates e 12 derrotas, com 64 gols marcados e 39 sofridos). Levou o Atlético às quartas de final da Copa do Brasil e da Sul-Americana, conquistou o Campeonato Mineiro em março e, ainda assim, caiu.

Foi a 16ª troca de técnico na Série A de 2025 — e o campeonato ainda vai para a sua 22ª rodada. O dado diz muito mais sobre a “fábrica de moer treinadores” do que sobre o trabalho de Cuca. O argumento de mau desempenho recente ganha peso quando se nota que, após o Mundial de Clubes, o Atlético tem o pior aproveitamento entre todos os clubes do Brasileirão: em sete jogos, apenas uma vitória, um empate e cinco derrotas. Mas aqui está a pergunta central: trocar o treinador resolve os problemas ou apenas anestesia o torcedor por algumas rodadas?
Atlético é SAF
A ironia é que o Atlético é uma SAF. Em tese, deveria estar protegido do imediatismo que ainda guia a maioria dos clubes. Mas, na prática, o modelo de gestão não alterou a lógica amadora: perdeu, troca-se o técnico. Não importa se esse técnico é justamente um dos mais vitoriosos da história do clube, com sete títulos conquistados em quatro passagens — incluindo a Libertadores de 2013, o Brasileirão e a Copa do Brasil de 2021.
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Talvez fosse hora de olhar com mais atenção para o exemplo do Palmeiras, que há cinco anos mantém Abel Ferreira no cargo. Ali, a continuidade não é um detalhe, mas um pilar de uma gestão profissional, que desarma a lógica da demissão fácil. Resta o enigma: o Palmeiras é sempre campeão porque mantém o mesmo técnico ou mantém o mesmo técnico porque é sempre campeão? Seja como for, trata-se de uma receita que deveria ser levada a sério por quem quer, de fato, profissionalizar o futebol brasileiro.
Enquanto isso, seguimos vendo treinadores como Cuca — um dos maiores nomes da história atleticana — sendo descartados para que problemas mais profundos continuem escondidos. No fim, a demissão é só a cortina de fumaça de um espetáculo que insiste em repetir os mesmos erros.




