A eleição de Ousmane Dembélé para a Bola de Ouro da France Football diz menos sobre ele e mais sobre o estado atual do futebol mundial. O francês é um grande jogador, decisivo em vários momentos, mas está longe de ser uma unanimidade natural, dessas que dispensam explicações. O prêmio, neste ano, poderia ter ido para Salah, Yamal, Vitinha, Hakimi, Mbappé, Palmer, Doué… todos nomes talentosos, mas nenhum deles capaz de encarnar sozinho a ideia de “o melhor do mundo” sem contestação.

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É impossível não lembrar de um tempo recente em que Messi e Cristiano Ronaldo dividiram o palco, não só como craques, mas como referências incontestáveis de uma era. Ou, antes deles, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno — unanimidades universais, de uma categoria tão especial que qualquer prêmio parecia apenas uma formalidade. Hoje, ver Ronaldinho entregando o troféu a Dembélé serve como metáfora do vazio que se abriu: há bons jogadores em profusão, mas não existe aquele que represente, por si só, o auge absoluto do futebol.

Dembélé é eleito por jornalista de 100 países o Bola de Ouro da France Football / France Football

Do ponto de vista brasileiro, o incômodo é ainda maior. Há muito tempo nossos jogadores deixaram de figurar entre os grandes favoritos. Nesta temporada, Raphinha foi o melhor colocado, apenas em quinto. Vinícius Júnior, vencedor do ano passado do The Best, da Fifa, não apareceu sequer entre os 15 mais votados. Um reflexo do que vemos também na seleção brasileira: três trocas de técnico em um mesmo ciclo de Copa, um time-base indefinido a menos de um ano do Mundial e Neymar cada vez mais próximo de ser uma carta fora do baralho.

Brasil não tem jogador fora de série

Carlo Ancelotti terá em mãos um grupo de bons jogadores, mas nenhum fora de série, nenhum que se imponha como unanimidade nacional. O retrato da seleção se confunde com o retrato do futebol mundial: há talentos espalhados, mas não há um nome acima de todos, como sempre houve nas grandes eras. A Bola de Ouro de Dembélé, mais do que uma conquista individual, simboliza a mediocrização do estrelato no futebol.

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