Ilustre desconhecida da grande maioria dos torcedores brasileiros e do restante do planeta, a Associação Desportiva Mjällby é a campeã sueca da primeira divisão de 2025. Fundado há 86 anos por pescadores e agricultores da sua região, no sul da Suécia, até o fim deste mês, o Mjällby sempre foi um clube de ambições modestas, sem jamais ter conquistado um troféu importante.
Até a arrancada rumo ao título nacional, a partir da décima rodada da temporada (quando assumiu a liderança), seus jogos raramente lotavam os 7.500 lugares do estádio, situado em Hällevik, uma bucólica vila de pescadores, com cerca de 1.400 habitantes, às margens do Mar Báltico.

Para ter uma ideia da realidade das ambições do Mjällby, em 2016, o clube quase foi rebaixado para a quarta divisão da Suécia. Desde que retornou à principal divisão do futebol do país, a melhor campanha que obteve foi o quinto lugar, em 2023/24. Às vésperas do início da atual temporada, as casas de apostas suecas topavam pagar 150 vezes o valor de palpites que previssem o título, de tão improvável que isso parecia ser. Mas não é que deu zebra?

Herói de uma conquista
O grande nome do time é um atacante de 1,90 metro, o oportunista Jacob Bergström, que marcou – de bicicleta –, o gol que abriu o placar na vitória sobre o IFK, de Gotemburgo, por 2 a 0, fora de casa. Jogador de carreira modesta, que começou como juvenil no Karlskrona, a cerca de 90 quilômetros dali, ele virou um símbolo do clube que se tornou célebre. “Demos tudo pelo Mjälllby e mostramos um jogo coletivo que fez a diferença”, disse o artilheiro Bergström ao Aftonbladet, um dos principais jornais da Suécia.
Conhecido pelo apelido “Bergarn”, ele é um exemplo do quão humilde é o elenco do Mjällby. Zanzou por clubes da segunda e da terceira divisão da Suécia, e, até alguns anos atrás, para complementar a sua renda mensal, chegou a ter um segundo emprego como balconista de uma loja da lanchonete Subway, em Karlskrona.

No embalo da campanha histórica, Bergström fez sua fama. Ele é uma das principais estrelas do elenco, ao lado de Abdoulie Manneh, ponta-esquerda nascido em Gâmbia, que está de malas prontas para jogar no Olympiacos, dá Grécia, do goleiro Noel Törnqvist (já negociado com o Como, da Itália), do meio-campista dinamarquês Nicklas Rokjaer e do lateral-esquerdo Herman Johnson. Eles formaram a espinha-dorsal do time montado pelo técnico Anders Torstensson, ex-jogador do clube nos anos 1980.
Título antecipado
Faltando apenas três rodadas para o fim do campeonato nacional, o Mjällby abriu onze pontos de vantagem sobre o Hammarby, o segundo colocado na classificação da Primeira Divisão da Suécia. Portanto, não pode mais ser alcançado, e está confirmadíssimo no ano que vem nas fases de classificação da milionária Liga dos Campeões da Uefa.

Porém, apesar de saborear o auge de suas carreiras, jogadores e comissão técnica do Mjällby ainda vivem a rotina de um time pequeno. Depois da conquista do título, eles tiveram de enfrentar uma viagem de quase seis horas dentro de um ônibus para levar a taça para sua sede, instalada no estádio, espremido entre a praia, um bosque e um camping. A festa promete acabar com o estoque de cerveja da cidade e de “aquabit”, o destilado feito de batata, típico da região.
O piloto do Mjällby
Por trás desta conquista reluz o nome de Torstensson, o técnico do time. Ex-jogador do Mjällby nos anos de 1980, há duas temporadas, Torstensson reassumiu a missão de treinar o clube. Isso foi em 2023. Sua condição era que pudesse acumular a função de treinador com a de diretor de uma escola das redondezas. Foi graças a ele que o time, conhecido por atuar com camisa amarela e calção preto, parecido ao uniforme do Borussia Dortmund, da Alemanha, mudou a sua forma de atuar.

Como qualquer time pequeno que se preza, o Mjällby jogava na retranca, explorando os contra-ataques. Porém, seu técnico dublê de diretor escolar queria mais. “Nos últimos meses, tratamos de aprimorar coisas novas: pressionar mais alto – sem perder nossa organização tática”, diz o assistente-técnico Christofer Augustsson, que chegou à comissão técnica há dois anos e acompanhou a transição de perto.
“Antes, éramos um time bastante direto, com um bloco baixo, jogando na transição. Agora somos capazes de atacar.” Como parte da mudança da filosofia de jogo, foram incorporados novos atletas. E funcionou. Desde que assumiu a liderança do campeonato, na décima rodada, o time seguiu inalcançável rumo ao título.
Do sonho para a glória
Fundado em 1939 por iniciativa de pescadores e agricultores da região, o Mjallby nunca ganhou um troféu importante e normalmente joga fora da primeira divisão. Em 2015, o clube quase foi rebaixado para a quarta divisão. Depois, engatou promoções até alcançar a elite. O time já foi considerado um saco de pancadas.
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Há apenas sete anos, o Mjällby era um clube em decadência, sem maior destaque, que flertava com a zona de rebaixamento. Agora, disputará o principal campeonato de clubes do planeta. É um roteiro digno de um conto de fadas como o de Cinderela.




