Em tempos de globalização, levar jogos de equipes para fora de seus países é uma estratégia cada vez mais na onda. O principal motivo é buscar novos fãs. Em setembro passado, Los Angeles Chargers e Kansas Chiefs levaram 47 mil pessoas à Arena Corinthians, em São Paulo, para assistir, muitas delas pela primeira vez, a um jogo da principal Liga de Futebol Americano dos Estados Unidos, a NFL. Nos próximos meses, a NBA, que reúne as equipes mais importantes da Liga de Basquetebol daquele país, organizará partidas ao redor do mundo.
Em novembro deste ano, Dallas Mavericks e o Detroit Pistons se enfrentarão na Cidade do México. Também há partidas de estrelas do basquete agendadas para a Alemanha, China, Emirados Árabes e China.

Em busca de popularidade
Em busca de mais popularidade e fãs de novos mercados, a LaLiga, que organiza os principais torneios de futebol da Espanha, anunciou uma partida entre o Barcelona e o Villarreal, valendo pela 17ª rodada do campeonato da Primeira Divisão, no Hard Rock Stadium, em Miami, EUA, no fim de dezembro.
Seria a primeira vez que isso aconteceria na história. Cada um dos clubes deveria embolsar cerca de R$ 30 milhões, dinheiro suficiente para que o Villarreal sonhasse até em levar centenas de seus torcedores espanhóis para um fim de semana nos Estados Unidos, indo e voltando em vôos fretados. Só que deu tudo errado. E este jogo nos arredores de Miami acabou cancelado.

Para começar, os outros clubes espanhóis não gostaram de serem os últimos a saber da novidade e se uniram contra o plano da Liga. Entre eles, um dos mais veementes foi o Real Madrid, que entrou com uma reclamação no Conselho de Futebol Espanhol para proibir a deslocalização da partida.
Sindicato não aprovou
Os sindicatos de jogadores de futebol também não aprovaram a ideia (que já tinha recebido sinal verde da Uefa). Em vários estádios do país, os atletas protestaram. A partir de 14 de outubro, houve uma paralisação de 15 segundos depois do apito inicial, em várias partidas, com os times já no gramado. Em um comunicado, a associação dos jogadores profissionais justificou o movimento, feito, segundo ela, “devido à falta de transparência, diálogo e coerência dos dirigentes da LaLiga”.

Também ocorreram diversas manifestações dos jogadores contra a realização dessa partida. “Se este jogo acontecesse, ele infringiria o regulamento da competição”, escreveu o lateral Daniel Carvajal, do Real Madrid, em sua conta no Instagram. “Isso adultera a competição e viola o acordo com os jogadores”, declarou o goleiro Thibaut Courtois, seu companheiro de clube, em entrevista coletiva às vésperas da partida contra a Juventus, da Itália, pela Liga dos Campeões.
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Diante de tanta pressão, a Relevant, empresa que estava por trás da organização do jogo entre Barcelona e Villarreal, em Miami, anunciou que tinha desistido do projeto. Motivo? Tempo insuficiente para preparar a partida.” Todo esse bate-boca esquentou ainda mais a rivalidade entre Barcelona e Real Madrid. No último fim de semana de outubro, os dois times se enfrentarão, no estádio Santiago Bernabéu, em Madri. A polêmica do jogo em Miami acabou deixando o maior clássico da Espanha e do mundo ainda mais tenso.







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