Um amigo me perguntou nesta semana o que eu achava da possibilidade de Felipe Melo ser um bom treinador. Parei para pensar. O comentarista do SporTV já declarou o seu interesse de voltar aos gramados, não mais como jogador, mas como técnico. É muito comum o jogador sentir falta do campo e se embrenhar na função. Alguns preferem a calça social e viram diretor. A verdade é que a experiência que eles têm e acumulam na carreira de atleta é muito mais rica para essas funções do que para comentarista esportivo.

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Respondi que Felipe Melo seria um bom treinador. Por alguns motivos: ele é verdadeiro, ele sempre olhou o jogo de trás e isso o ajudou a entender a dinâmica dos times e a distribuição no gramado, trabalhou na Europa e traz consigo essa vivência, conhece bem o futebol brasileiro e sabe se defender. Nem entro no mérito de motivação, dedicação e luta porque todos sabem que a carreira do jogador foi baseada nesses princípios.

Felipe Melo, depois de deixar o Fluminense e virar comentarista do SporTV, quer ser treinador / Fluminense

Sua posição também pode ajudá-lo. Para mim, de todos os jogadores de uma equipe de futebol, o volante é quem mais se preocupa com a marcação, com a tarefa de não dar espaço, de correr e se entregar até o fim do jogo e de cobrir um espaço de campo “gigantesco” e de não aceitar as derrotas.

Como Felipe Melo seria no vestiário?

Mas como seria Felipe Melo no vestiário após uma derrota ou uma partida em que o time poderia ganhar? Explosivo? Não sei. A personalidade muda com o passar dos anos. Mas certamente ele seria autêntico. Fernando Diniz, do Vasco, sempre foi doce quando jogava. Mudou um pouco como treinador. Mas é o mesmo nas entrevistas. Emerson Leão pegava no pé de seus jogadores o tempo todo, mas é um cara bom de conversa nos bastidores. Felipão é o mesmo de sempre, desde o seu tempo de zagueiro botinudo no CSA. Filipe Luís tem na cabeça tudo o que aprendeu na Espanha.

Sou apaixonado por futebol, que me deu tudo que eu sou. Vou ser treinador de futebol. Já tenho a licença PRO da AFA (Argentina)e vou começar a licença da CBF. Não vou treinar nenhum clube este ano, apesar de ter tido duas ofertas da Turquia. Mas não estou preparado ainda. Sou um apaixonado pelo Fernando Diniz. Trabalhei com Abel, outro fenômeno. Tive oportunidades com grandes treinadores de estilos diferentes e com treinadores pífios e com estilos horríveis. Cada treinador me ofereceu alguma coisa.
FELIPE MELO AO DEIXAR OS GRAMADOS

Atualmente, há muito mais cursos de preparação para a formação de um treinador do que no passado. As referências são maiores. A CBF realiza uma discussão sobre a carreira nesta terça-feira no Rio. A Europa está aqui do lado com suas ideias. Há muitos treinadores estrangeiros trabalhando no Brasil e isso gera uma troca de conhecimento. Todos os jogos podem ser vistos e estudados.

Os atletas são mais jovens, mas menos contestadores. Precisam mais de carinho do que de bronca. Abel Ferreira, do Palmeiras, entendeu isso cedo. E age dessa forma dentro da Academia.

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Felipe Melo teria muita mídia por causa de suas bravatas do passado, e isso o colocaria no olho do furacão diariamente. Mas penso que ele seria capaz de lidar com tudo isso. Também tenho certeza de que não deixaria nenhum jornalista sem resposta. Mas o vejo em categorias de base, em times de menor expressão até ter a primeira chance em um dos grandes do futebol nacional.

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