O Majestoso desta quinta-feira parecia condenado ao empate. Um clássico daqueles em que os dois times se alternam em erros, apagões e momentos de alguma lucidez, mas sem ninguém capaz de alterar o destino da noite. Até que apareceu Memphis Depay — o único em campo com a assinatura do inesperado — para reescrever o roteiro que Corinthians e São Paulo iam rabiscando na Neo Química Arena.

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Até ali, o 1 a 1 tinha cara, cheiro e enredo de resultado justo. O Corinthians dominou o primeiro tempo, abrindo o placar com Yuri Alberto convertendo pênalti. O São Paulo equilibrou a etapa final e chegou ao empate com uma cabeçada precisa do chileno Tapia. O jogo se instalara num território morno, sem dono, sem intensidade, sem brilho. Eram duas equipes igualmente instáveis, igualmente reféns de suas próprias limitações.

Memphis precisou de apenas uma jogada para se livrar de Sabino e marcar um golaço para o Corinthians / Corinthians

Mas havia Memphis. Ele — jogador de Copa do Mundo, pago, e muito bem pago, para decidir esse tipo de partida — foi guardado até os 15 minutos da segunda etapa. Entrou no lugar de Gui Negão trazendo consigo aquela aura silenciosa dos que carregam a responsabilidade como se fosse uma vocação. E bastou uma falha da zaga tricolor para que o clássico ganhasse, enfim, um protagonista à altura de sua história.

Memphis e Sabino

Na entrada da área, Memphis dominou, encarou Sabino e aplicou uma caneta daquelas que desestabilizam mais do que a marcação: desestabilizam o roteiro. Em seguida, teve a frieza de escolher o canto direito de Rafael e bater com precisão para marcar um gol de rara felicidade, desses que suspendem o tempo e fazem o estádio respirar diferente. Se o clássico caminhava para um empate honroso, Memphis rasgou o bilhete na porta da chegada.

Yuri Alberto marcou dois gols no clássico do Corinthians com o São Paulo em Itaquera: 3 a 1 / Corinthians

O São Paulo, aturdido, não teve tempo de reagir. Nocauteado pelo segundo gol, ainda levou o terceiro no fim — Yuri Alberto, de novo, completou a jogada iniciada num chute de Vitinho que explodiu na trave. O 3 a 1 não reflete o equilíbrio da partida. Reflete a diferença que um jogador especial pode fazer quando decide jogar como tal.

Pré-Libertadores

O resultado deixa Corinthians e São Paulo com a mesma pontuação, ali no meio da tabela, orbitando entre o nono e o décimo lugares — posição que sintetiza com precisão a temporada irregular de ambos. Ainda há chance de pré-Libertadores; ainda há um fio de esperança para achar sentido num ano que parece sempre prestes a não dizer nada. O Corinthians, por sua vez, mantém também o atalho possível de uma vaga direta caso conquiste a Copa do Brasil.

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E se esse caminho existe, é porque há Memphis Depay. Dizem que ele custa demais, que tem regalias, que seu contrato desafia a realidade econômica do futebol brasileiro. Tudo isso pode até ser verdade. Mas também é verdade que ele salvou o Corinthians do rebaixamento no ano passado — e nesta noite, mais uma vez, entregou algo que não tem preço: a chance de acreditar num fim de 2025 diferente. Num clássico que caminhava para ser só mais um, Depay lembrou a todos que, às vezes, basta um jogador para mudar tudo.

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