O título ainda não veio, mas o Flamengo praticamente colocou a mão na taça nesta terça-feira, a duas rodadas do fim do Brasileirão. Por muito pouco não se confirmou a combinação perfeita de resultados que daria ao rubro-negro o campeonato antecipado. No Sul, com um time inteiro reserva e nenhum pudor em deixar claro que o foco absoluto está na decisão continental, o Palmeiras perdeu de virada para o Grêmio por 3 a 2. Faltava apenas o Flamengo fazer sua parte em Minas — mas o Atlético, mesmo emocionalmente ferido pela eliminação para o Lanús na Sul-Americana, resolveu exercer sua rivalidade histórica e atrapalhar a festa.
O Galo saiu na frente, segurou o resultado até onde pôde e foi um adversário duro, competitivo, quase obstinado em adiar a volta olímpica flamenguista. Mas o Flamengo não desistiu. Pressionou, insistiu, amassou o adversário até que, no finzinho, Bruno Henrique surgiu para marcar de cabeça um gol salvador. Um gol que valeu muito mais que um empate: ampliou para cinco pontos a vantagem sobre o Palmeiras — cinco pontos com apenas seis em disputa. Na prática, transformou a reviravolta em algo próximo do impossível.

O próprio Abel Ferreira já havia dado sinais de que não acreditava mais numa arrancada: depois do empate sem gols com o Fluminense, admitiu a frustração e, hoje, poupou todos os titulares pensando apenas no sábado, na final da Libertadores, em Lima.
Fla vai para Lima fortalecido
E é justamente aí que surge a grande interrogação da noite: o que os resultados deste Brasileirão, praticamente definido, significam para o confronto direto entre Flamengo e Palmeiras na decisão continental?
O Flamengo chega fortalecido, emocionalmente inflamado por uma arrancada final que beira a perfeição. Vive um ambiente leve, confiante, embalado por um time que parece ter reencontrado o próprio eixo competitivo. Já o Palmeiras se apresenta mais calculista, mais frio, mais estrategista — e com a mente totalmente voltada para a glória eterna desde a semana passada.
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Rubro-negros e alviverdes disputam, além do título, a primazia histórica de se tornar o primeiro clube brasileiro tetracampeão da Libertadores. Pelo investimento, pelo retrospecto recente e pela estrutura dos dois, trata-se de uma final sem favoritos — ainda que o Brasileirão, agora muito próximo de terminar em festa carioca, deixe o Flamengo mentalmente alguns passos à frente. O sábado promete mais do que uma decisão. Promete um ajuste de contas entre o presente imediato do futebol brasileiro e a ambição que move seus dois projetos mais poderosos.





