Por Paulo Vinicius Coelho, o PVC
A magia do tempo e das imagens de futebol produziram uma coincidência incrível. As fotografias de Pelé, comemorando seu gol contra a Itália, na final da Copa do Mundo de 1970, e de Messi, festejando um de seus três gols em Sevilla 2 x 4 Barcelona, no dia 23 de fevereiro de 2019, têm posturas iguais.
Pelé debruça-se sobre os ombros de Jairzinho, com o punho direito cerrado. Messi faz o mesmo, pendurado em Ousmane Dembélé. Mais surpreendente do que as fotos, apenas o fato de três dos fotografados terem sido eleitos os melhores do planeta. Só Jairzinho não foi. A eleição de Dembélé para o The Best, da Fifa, consagra a era dos craques coletivos. Nada de Jairzinho, autor de sete gols nos seis jogos da seleção brasileira na campanha do México. Em vez disso, o mais destacado como indivíduo numa equipe muito bem estruturada.

O futebol mudou. Símbolo disso é Vinícius Júnior ter sido eleito o melhor do mundo e Neymar, não. Dembélé foi escolhido para o The Best. Mbappé, nunca. Notável também perceber que a eleição do francês foi a primeira, em vinte anos, sem nenhum voto nem para Messi nem para Cristiano Ronaldo.
Futebol da pressão no ataque
A história que passou diante de nossos olhos, com o português e o argentino se enfrentando em partidas pelo Manchester United ou Real Madrid ou Juventus, contra o Barcelona ou Paris Saint-Germain, terminou sem deixar muitas margens para novas unanimidades.
Dembélé foi escolhido quando já não atua no mesmo nível de maio, quando levou o PSG ao título da Champions League. Assim como Vinícius Júnior não consegue convencer como principal referência e esperança brasileira para a Copa do Mundo.

Jurgen Klopp já afirmou que a camisa 10 do futebol atual é o pressing, a marcação por pressão, tão bem realizada pelo Liverpool, de 2019. O craque não era Salah ou Firmino ou Sadio Mané. “É o único time do planeta que pressiona com os três atacantes”, ensinou Jorge Jesus na véspera da final do Mundial de Clubes em Doha. O Paris Saint-Germain brilha sem Dembélé, às vezes com Doué ou Barcola, ou com Kvaratskhelia. Nunca sem pressionar a saída de jogo do adversário.
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Vinicius Júnior ganhar o prêmio antes de Neymar e Dembélé antes de Mbappé são emblemas do novo futebol. Mas não se engane. A organização coletiva nunca vai prescindir do talento individual. Ela só não aceita mais o craque egoísta.





