Como explicar que o mesmo time que, há menos de um mês, acumulava nove jogos sem vitória, com jogadores acuados, com medo de sair na rua, ameaçados pela torcida na saída do trabalho na porta do CT, hoje ostenta a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, com três jogos, três vitórias, cinco gols marcados e nenhum sofrido? A resposta poderia passar por diversas teorias, mas resume-se a uma ideia muito simples: o verdadeiro Corinthians renasceu nas mãos de Fernando Diniz.
Não é exagero — é constatação. O que se vê em campo já não guarda semelhança com aquele time inseguro, previsível, que trocava passes laterais sem propósito e transformava a posse de bola em um disfarce para a falta de ideias dos tempos de Dorival Junior. Desde a chegada de Diniz, mesmo sob desconfiança e descrédito, houve uma ruptura clara com o passado. Jogadores e comissão técnica decidiram se reconectaram e a torcida veio junto, embalada por aquele heroico empate com o Palmeiras com apenas 9 jogadores. E quando esse pacto encontra eco na arquibancada, Itaquera volta a ser o território sagrado, onde o Corinthians joga com sangue nos olhos e se impõe como time grande.

Foi exatamente isso que se viu na noite desta quinta-feira. Diante de um tradicional Peñarol, o Corinthians não apenas venceu por 2 a 0 — dominou, sufocou e, em muitos momentos, encantou a torcida e a crítica. Especialmente no primeiro tempo, talvez a expressão mais fiel até aqui do chamado “dinizismo” em preto e branco.
Houve imposição, intensidade, triangulações, ultrapassagens, tabelas em velocidade, toques de primeira. Um repertório que simplesmente não existia semanas atrás. Sob a regência do capitão Rodrigo Garro — símbolo maior dessa transformação — o time produziu um recital. O argentino, antes apagado e errático, hoje é o maestro de uma equipe que joga com confiança e clareza de ideias.
Vitória tranquila
O placar, aliás, foi modesto diante do que se viu. O 2 a 0 engana. Não seria exagero algum se o intervalo tivesse chegado com uma goleada histórica, de 5 ou 6 gols.
O primeiro gol saiu de uma jogada que é patrimônio desse time: a bola parada. Aos 11 minutos, Garro cobrou falta com precisão cirúrgica para Gustavo Henrique abrir o placar de cabeça. Aos 24, após pressão alta e roubada de bola de Lingard, que ganhou a titularidade no lado esquerdo do ataque, Yuri Alberto participou da jogada que terminou com o próprio inglês ampliando. E as chances seguiram se acumulando, numa avalanche que só não se traduziu em números mais elásticos por capricho — ou desperdício.
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Se o primeiro tempo foi uma aula, o segundo serviu como confirmação de um processo. Mesmo com as mudanças promovidas por Diniz, o Corinthians manteve o controle, seguiu dominante e administrou o resultado com maturidade, sem sofrer sustos. Há, enfim, um padrão de um time reconectado com suas melhores tradições.
Um novo Corinthians
Os números começam a acompanhar a sensação de que a chave virou. Em sete jogos sob o comando de Diniz, o Corinthians ainda não perdeu — e sequer sofreu gols. Um detalhe que, diante da exuberância ofensiva apresentada hoje quase passa despercebido, mas que ajuda a dimensionar a consistência do trabalho.
É cedo para cravar até onde esse novo Corinthians pode chegar. Mas já é possível afirmar com segurança: aquele time amedrontado ficou para trás. No lugar, surge uma equipe viva, confiante, que joga futebol de verdade e devolve à torcida algo que parecia distante — o prazer de ver o Corinthians em campo.
Poropopó-pó-pó-pó-pó….Poropopopó-pó-pó….





