A matemática diz que está tudo aberto. O placar de 0 a 0 na Neo Química Arena na noite desta quarta-feira não definiu nada, não eliminou ninguém nem entregou o título. Mas o futebol raramente se limita à lógica aritmética. E, na prática, o empate desta noite foi muito mais generoso com o Vasco do que com o Corinthians.

Siga The Football

O time carioca deixou Itaquera com a sensação nítida de que deu um passo à frente. Decide em casa, no domingo, empurrado pela sua torcida, no Maracanã, com o peso simbólico de um estádio que costuma mudar o clima das decisões. Pouco importa o retrospecto recente — apenas uma vitória vascaína sobre o Corinthians nos últimos 15 anos. O que vale é o agora. E o agora parece jogar a favor do Vasco.

Corinthians faz uma festa linda em Itaquera, mas não joga bem nem consegue superar o Vasco na decisão / Corinthians

Para o Corinthians, o sentimento é outro. De frustração. De oportunidade desperdiçada. Mais uma vez a arena estava lotada, pulsante, empurrando o time do primeiro ao último minuto. Mas, ao contrário do que aconteceu na semifinal contra o Cruzeiro, quando a vitória nos pênaltis construiu vantagem e confiança, a noite terminou em anticlímax. Era jogo para vencer. E não venceu.

Gols anulados, jogo tenso

A partida teve cara de decisão desde o primeiro minuto. Tensa, nervosa, estudada demais. Pouco espaço, poucas chances, muito receio. Quando a bola finalmente balançou as redes, não valeu: impedimento dos dois lados. O Vasco ainda flertou com o gol no fim, numa bola na trave que gelou a arquibancada. Mas o zero insistiu em permanecer no placar.

Com o passar do tempo, ficou claro quem estava mais confortável no jogo. Após cerca de 15 minutos, o Vasco percebeu que o Corinthians não estava inspirado nem agressivo nem disposto a tomar as rédeas da decisão. Bem armado por Fernando Diniz, que leu o adversário com precisão e anulou suas principais rotas ofensivas, especialmente o apoio dos laterais, o time carioca passou a controlar a partida. Rodou a bola com calma, ocupou bem os corredores, fez o balanço de um lado para o outro e jamais pareceu ameaçado. Pelo contrário: foi quem mais se aproximou do gol.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok

O Corinthians, por sua vez, errou quase tudo. Errou no plano de jogo traçado por Dorival, errou na execução e até em cobranças de lateral. A quantidade de passes errados foi tamanha que o jogo simplesmente não fluía. E, mais uma vez, veio à tona um problema crônico deste time: a enorme dificuldade para sair jogando da defesa para o ataque.

Faltou o chute

A bola ficou prisioneira da linha de quatro defensores, girando de um lado para o outro, sem verticalidade, sem ousadia, sem propósito. Faltou transição. Faltou infiltração e aproximação. Garro foi obrigado a recuar para buscar o jogo na intermediária, afastando-se de Yuri Alberto e Memphis Depay, que praticamente não receberam uma bola limpa dentro da área de Léo Jardim. Chutar, então, nem pensar.

O Corinthians tropeçou nos próprios erros e não tem do que reclamar do resultado. Se houvesse um vencedor moral nesta noite, ele vestiria de preto e branco — o do Vasco. O Timão saiu devendo futebol, intensidade e, sobretudo, desejo. Resta à torcida se apegar a uma esperança quase intuitiva: a de que é difícil — talvez impossível — jogar tão mal outra vez numa decisão. Domingo, no Maracanã, não haverá margem para um novo jogo sem punch, sem organização e sem alma. Porque as finais não perdoam quem entra nelas apenas para sobreviver.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui