Por Matheus Trunk
Ele pensava encontrar em São Januário a redenção. Mas não foi bem assim. O ano de 2025 foi mais uma temporada irregular na carreira de Fernando Diniz como técnico. O vice-campeonato da Copa do Brasil perdido para o Corinthians foi o capítulo final de um ano que não passou de razoável para o treinador do Vasco. Profissional conhecido pela convicção e firmeza nas decisões, com passagem pela seleção brasileira, Diniz permaneceu quieto após a partida. Ficou fleumático olhando para o infinito por alguns instantes.
Na entrevista após a derrota, Fernando Diniz elogiou o desempenho do Gigante da Colina. “Tirando o placar final (derrota por 2 a 1), por qualquer olhar que você queira analisar a partida a gente foi superior ao Corinthians, tanto no primeiro jogo em Itaquera quanto no jogo de hoje”, defendeu com segurança. O treinador admitiu que o clube possui dificuldades financeiras e não consegue contratar jogadores caros como “Vitor Roque por US$ 25 milhões ou Paulinho do Atlético Mineiro”, numa comparação com o Palmeiras, que também não ganhou nada neste ano.

Diniz usou diversas vezes estatísticas para argumentar que o Vasco teve uma atuação superior nas finais da Copa do Brasil, que poderá ter jogo único na próxima temporada. “Um time que finaliza dezesseis vezes e outro seis em condições normais... é o triplo praticamente. Que fica 64% com a posse de bola, que invade o terço final do campo 44 vezes contra nove… o normal é sair vencedor. E lá em Itaquera já era pra gente sair vencedor”. O técnico também sustentou que o futebol é incerto como a vida.
Fica um sabor de tristeza pela não conquista do título e ao mesmo tempo um sinal positivo de que o time lutou e representou a camisa do Vasco.
FERNANDO DINIZ
Joia muito rara
O treinador enalteceu diversos jogadores do Vasco, como o jovem atacante Rayan, o zagueiro Robert Renan e o goleiro Léo Jardim. Ele destacou bastante o jovem centroavante. “O Rayan é um dos grandes pilares do meu trabalho, decidiu muitos jogos e a tendência é o crescimento dele. Se fosse meu filho, falaria para ficar no Vasco mais um tempo, tem apenas 19 anos”. O treinador rasgou elogios ao atacante e sua descoberta. “É um jogador muito especial, completo, no começo de sua descoberta. Tem todas as qualidades que um jogador precisa ter. Só precisa ser consistente e gostar do enorme potencial que tem. É uma joia muito rara.”
Diniz se reinventa
Após passagens em diversos clubes, Fernando Diniz viveu um momento oportuno no Fluminense. Foi no Tricolor carioca que o técnico defensor de um estilo de toques em profundidade e jogo vertical conseguiu vencer um Estadual, uma Taça Libertadores de América e uma Recopa Sul-Americana. Foi nesse período que acabou sendo chamado para dirigir interinamente a seleção brasileira. Foram apenas seis jogos, com duas vitórias, um empate e três derrotas nas Eliminatórias. Os resultados medíocres o fizeram ser demitido da seleção e também do Fluminense.

Diniz teve uma passagem conturbada pelo Cruzeiro, até ser chamado pelo Vasco em maio deste ano. Com um plantel restrito, o time acabou eliminado na primeira fase da Copa Sul-Americana e terminou o Campeonato Brasileiro na modesta 14ª posição. O melhor momento foi na Copa do Brasil, onde a equipe de São Januário eliminou dois times rivais que estão na Série A: Botafogo e Fluminense. O vice-campeonato encerra mais um ano de fila para o Vasco. O último título nacional foi a própria Copa do Brasil de 2011.





