A definição do camisa 9 da seleção brasileira segue como uma das principais incógnitas no ciclo rumo à Copa do Mundo de 2026. Diferentemente de outros períodos, em que o Brasil chegou ao Mundial com um centroavante consolidado, a atual geração vive um cenário de concorrência aberta, testes constantes e mudanças de hierarquia a cada data Fifa.

Siga The Football

Desde que Carlo Ancelotti assumiu o comando, a comissão técnica tem alternado opções, buscando equilíbrio entre presença de área, mobilidade, mentalidade e poder de finalização. O resultado é uma disputa sem dono absoluto, mas com alguns nomes em vantagem. The Football preparou um guia para mostrar as principais características de cada atleta que está na disputa e sonha com a vaga.

Antes da lista ser entregue para a Fifa em maio, o Brasil terá mais dois amistosos, um contra a França, de Mbappé e vice-campeã mundial, e diante da Croácia. Serão os últimos jogos da equipe antes do Mundial. 

Richarlison ainda lidera a corrida

O atacante do Tottenham ainda é a principal referência da posição. Identificado com a camisa 9, o Pombo manteve espaço nas convocações ao longo do ciclo, mesmo enfrentando oscilações no rendimento em seu clube. Ancelotti gosta do potencial do atacante. E o conhece bem.

Entre 2023 e 2025, Richarlison disputou 15 partidas pela seleção brasileira, com seis gols e duas assistências. A confiança em jogos grandes, a intensidade sem a bola e o histórico recente pesam a seu favor. Ainda assim, a falta de regularidade abriu espaço para concorrentes diretos. Mas o torcedor torce o nariz para as recentes atuações do jogador.

João Pedro cresce no Chelsea

Um dos nomes que mais evoluíram no período de Ancelotti foi João Pedro. O atacante ganhou espaço nas listas recentes do treinador italiano e passou a ser utilizado tanto como centroavante quanto em funções mais móveis no ataque. João Pedro é um definidor na área. Um fazedor de gols.

No ciclo atual, soma dez jogos pela seleção, com três gols e duas assistências. A capacidade de se associar ao meio-campo, a força física e a leitura tática agradam à comissão técnica, fazendo dele hoje a principal sombra de Richarlison na posição.

Endrick representa o futuro

Endrick é o nome que simboliza o futuro da seleção brasileira. Mesmo com pouca idade, 19 anos, já foi testado no time principal e deixou impacto imediato. Explosivo, decisivo e com faro de gol, o atacante pode mudar completamente o cenário até 2026. Mas ele não foi bem no Real Madrid depois da saída de Ancelotti. Pediu para jogar no Lyon. 

Até aqui, Endrick tem oito jogos no ciclo nacional, com três gols e uma assistência. Não atua como um camisa 9 clássico, mas sua capacidade de decidir jogos o mantém fortemente na disputa, especialmente se conseguir sequência e protagonismo no futebol europeu.

Pedro aposta no faro de gol 

Pedro é o centroavante mais clássico entre os candidatos. Artilheiro, forte no jogo aéreo e referência dentro da área, o atacante do Flamengo é um nome relevante no debate sobre a camisa 9 do Brasil. Pedro teve um ano difícil no Fla, mas já se recuperou.

No período recente, Pedro soma sete jogos pela seleção brasileira, com quatro gols marcados, além de convocações recorrentes em momentos específicos. A regularidade no futebol brasileiro e o alto número de gols pelo Flamengo reforçam seu argumento, embora a concorrência e o estilo de jogo da seleção tenham limitado sua sequência como titular.

Vitor Roque entra forte na disputa

Vitor Roque é um dos atacantes mais promissores do país e passou a ganhar espaço no ciclo após se firmar novamente no futebol brasileiro, graças às boas atuações pelo Palmeiras. Com força física, mobilidade e agressividade, reúne características valorizadas pela comissão técnica da CBF.

No período rumo a 2026, tem seis partidas pela seleção brasileira, com dois gols marcados, além de convocações frequentes. A regularidade e a evolução podem colocá-lo em posição ainda mais forte nos próximos testes. Ele tem sido o principal jogador do Palmeiras.

Gabriel Jesus tenta recuperar espaço

Gabriel Jesus aparece como um nome experiente na disputa, mas longe das últimas convocações. Embora não seja um camisa 9 clássico, já foi titular em Copas do Mundo e segue sendo observado pela comissão técnica da seleção.

No ciclo atual das Eliminatórias, participou de nove partidas, com dois gols e duas assistências. A versatilidade e a experiência internacional jogam a seu favor, mas a necessidade de maior impacto ofensivo pesa contra ele. Corre por fora.

Marcos Leonardo aposta no perfil clássico

Artilheiro desde as categorias de base do Santos, Marcos Leonardo representa o centroavante de área, com presença física e faro de gol. Ainda busca maior continuidade na seleção brasileira, mas permanece no radar. Poderia ter voltado para o futebol brasileiro neste ano. Mas não voltou. Ele atua no Al-Hilal, da Arábia Saudita.

Nesse período, em direção à Copa do Mundo de 2026, participou de apenas cinco partidas, marcou dois gols e teve convocações pontuais apenas. Pode ganhar espaço caso o Brasil opte por um modelo de jogo mais vertical e focado na ocupação da área.

Igor Jesus corre por fora

Igor Jesus surgiu como alternativa recente, oferecendo força física e jogo aéreo. Tem três jogos no período, com um gol marcado, e aparece como opção para compor elenco e variar o estilo de jogo. Já foi mais cotado para usar a camisa 9, mas perdeu espaço em meio aos testes e às opções do treinador, que são muitas, mas nenhuma fechada.

Igor Jesus também começa a ganhar seu espaço no Nottingham Forest. Recentemente, ele ganhou elogios do técnico Pep Guardiola. Isso não é pouco.

Kaio Jorge, por sua vez, é o nome mais distante da disputa neste momento. Com poucas oportunidades — apenas duas partidas no ciclo —, ele ainda busca se recolocar na briga pela posição, apesar da experiência internacional. Mas certamente Ancelotti passou a observar Kaio Jorge com mais atenção. Ele foi o artilheiro do Cruzeiro e do Brasileirão em 2025. Seu estilo é correria e contra-ataque pelo meio de campo, com objetividade. É forte e sabe jogar com poucos toques na área.

Cenário indefinido

Em março do ano que vem, a equipe treinada por Carlo Ancelotti enfrentará França e Croácia, nessa ordem, como parte da preparação para o próximo Mundial. Depois, já com os 26 jogadores que disputarão o Mundial escolhidos, a seleção terá uma data em junho para amistoso, provavelmente no Maracanã. O Brasil está no Grupo C, com Marrocos, Haiti e Escócia. 

O fato é que a definição do camisa 9 deverá ficar mesmo para a reta final do ciclo do Mundial. Todos têm chances e sonham com a competição. Mas a camisa mais simbólica do ataque brasileiro continua sem dono fixo — e a disputa promete ser acirrada até a convocação final para a Copa de 2026.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui