Carlo Ancelotti é o maior triunfo do Brasil na Copa do Mundo. O treinador italiano ainda nem estreou oficialmente na competição e já se transformou no principal ponto de confiança do torcedor brasileiro. Ele trouxe essa confiança das conquistas do Real Madrid e de outras ligas. Foi isso que mostrou uma prévia da pesquisa apresentada pelo CEO do Ibope, Antônio Wanderley, nesta sexta-feira, durante o São Paulo Innovation Week. O treinador italiano aparece como a grande âncora de credibilidade da seleção às vésperas do Mundial de 2026. Mas há um detalhe que continua travando parte do ambiente em torno do Brasil: Neymar.

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O executivo do Ibope afirmou que a indefinição sobre a presença do atacante do Santos virou um problema para a comissão técnica e para a comunicação da própria seleção. Segundo Wanderley, Ancelotti poderia ter evitado esse desgaste se tivesse encerrado a discussão antes da convocação final nesta segunda-feira, no Rio. O italiano, porém, preferiu manter Neymar no radar até os últimos momentos, algo que já vinha acontecendo internamente na CBF desde sua chegada ao comando da equipe.

Carlo Ancelotti tem agora até o dia 18 de maio para definir a sua lista da seleção brasileira para a Copa 2026/ CBF

A pesquisa divulgada no evento em São Paulo mostra um novo retrato sobre o momento do futebol brasileiro. O país continua conectado à seleção. Segundo os dados apresentados, 73% dos brasileiros se declaram fãs de futebol — número superior ao registrado em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo. O levantamento ainda aponta que 96% demonstram interesse por algum esporte. E Neymar continua sendo o jogador mais conhecido e um dos que mais geram confiança no imaginário popular.

Entre o passado e o presente

Esse talvez seja o dilema de Ancelotti. Neymar já não entrega fisicamente o mesmo futebol de outros tempos, mas continua sendo uma peça enorme do ponto de vista simbólico, emocional e comercial para a seleção. O especialista resumiu essa condição ao afirmar que “o engajamento da população seria diferente” sem o camisa 10. O CEO do Ibope chegou a defender publicamente a convocação do atacante por aquilo que ele representa para o torcedor.

Neymar ainda divide o Brasil

A discussão em torno de Neymar vai muito além da parte técnica. Ela mexe com a identidade da seleção. O Brasil ainda se apoia em personagens históricos, estrelas globais e símbolos populares para manter sua conexão emocional com o torcedor. Não por acaso, o próprio Canarinho Pistola apareceu muito bem avaliado na pesquisa apresentada no evento. “O Ancelotti é um cara muito experiente, mas comprou para ele um problema de que não precisava. Ele poderia ter protegido o grupo sem Neymar”, disse o CEO do Ibope.

Neymar nunca esteve ‘tão dentro’ da Copa do Mundo como agora, a dias da convocação oficial / Santos

Enquanto isso, Vinícius Júnior surge como o provável protagonista técnico da equipe de Ancelotti. O atacante do Real Madrid aparece forte em visibilidade e engajamento, impulsionado por pautas sociais, especialmente sua luta contra o racismo no futebol europeu. Mas, segundo o estudo, ainda enfrenta resistência em índices de confiança por causa da percepção sobre seu comportamento em campo.

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A pesquisa ajuda a explicar uma transformação silenciosa da seleção. Os jogadores deixam o país cada vez mais cedo e constroem suas carreiras longe do torcedor brasileiro. Isso reduz identificação, convivência e pertencimento. O brasileiro acompanha seus principais atletas mais pela Champions League e pelas redes sociais do que pelo futebol no Brasil. Neymar talvez tenha sido o último grande ídolo produzido integralmente dentro dessa lógica de conexão popular antes da exportação precoce.

O peso da Copa de 2026

Ancelotti sabe onde está pisando. A pressão sobre a seleção brasileira nunca foi apenas esportiva. Ela envolve audiência, paixão nacional, engajamento e identidade cultural. O treinador italiano foi contratado para devolver competitividade ao Brasil num cenário em que o futebol mundial se tornou mais intenso, físico e estratégico.

Mas o caso Neymar mostra que a seleção ainda vive dividida entre passado e presente, entre a memória de um craque que marcou gerações e a necessidade de construir um time competitivo para uma Copa do Mundo que promete ser a mais exigente da história, disputada em três países, com mais jogos, viagens e pressão. Ancelotti tem a confiança do torcedor antes mesmo de a bola rolar. Agora, precisa decidir se Neymar ainda cabe — ou não — no projeto do hexa.

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