O presidente Julio Casares não vai renunciar após investigações da Polícia Civil apurar depósitos do São Paulo em sua conta corrente no valor de R$ 1,5 milhão nos últimos anos. Pelo menos não por enquanto. Foram depósitos “picadinhos”, todos eles abaixo de R$ 50 mil, segundo reportagem do Uol. Mas o processo de impeachment se aproxima de sua sala no Morumbi. O presidente, que está em seu último ano de mandato, corre risco de perder o apoio político de sua base no clube, a mesma que o levou para o poder e que agora se sente traída.

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Todos querem ouvir Casares. Suas explicações, com provas, podem mudar essa desconfiança que só aumenta em sua gestão. Ele já contratou os melhores advogados para o defender nesse caso e também no outro, dos ingressos clandestinos de camarotes do estádio, supostamente operado pela sua ex-mulher, Mara, que tinha uma função no clube antes de pedir afastamento para também se defender. Há ainda um suposto envolvimento de seu filho nessa história.

Julio Casares tem as contas investigadas no São Paulo, com depósitos de R$ 1,5 milhão sem explicações ainda / SPFC

Julio Casares vai falar ao conselho nesta terça-feira. Sem hora para acabar. Vai falar para conselheiros ainda chamados de aliados e para a oposição, que cresce a cada notícia ruim sobre sua administração. Casares pode perder sustentação. Se isso acontecer, ele estará sozinho e desmoralizado. A pressão já existia. Mas vale lembrar que o presidente ainda não é réu em nenhum processo.

Como Augusto Melo no Corinthians

No entanto, o “modus operandi” das investigações e da condução dos casos no Morumbi é muito parecido com o que aconteceu no Corinthians, que resultou no afastamento definitivo e pela porta dos fundos do presidente Augusto Melo. Negações, afirmações que não se sustentam nem se comprovam, gastos sem comprovação também e a debandada de dirigentes. Se ficar sozinho e isolado no Morumbi, os ritos do processo de impeachment devem ser acelerados, de modo a dar tempo de tirar o presidente do cargo antes do fim do seu mandato, o que seria uma grande vergonha. Mais uma na história recente do São Paulo.

Sempre há a possibilidade de renúncia antes disso, o que seria também uma “confissão” das acusações. Casares é forte e não ficará doente no processo. Mas pode alegar isso ou ser uma estratégia da defesa. Hoje, ele se mantém no poder e nega todas as acusações.

É questão de provas agora

Os próximos dias serão decisivos para Casares. A torcida também não está mais com o presidente. Não se sabe o que pensam os jogadores e o técnico Crespo. O fato é que a corda que segura o presidente está esticada e cada vez com menos mãos para segurá-la.

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Não é mais uma questão de narrativas. Provas dos dois lados precisam ser apresentadas. As investigações demonstram os depósitos, e os dinheiro, que entraram efetivamente na conta corrente do presidente. Conta no Bradesco. Cabe a ele explicar e provar que esse dinheiro é seu e não do São Paulo. Há duas características que um presidente de clube de futebol precisa ter: honestidade e competência. Casares terá de provar as duas diante dos cardeais do Morumbi, os mesmos que o elegeram.

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