A frase, publicada por Ángel Romero nesta quinta-feira em suas redes sociais, talvez seja a maneira mais honesta de traduzir o que significa se despedir do Corinthians depois de tantos anos. Não há metáfora melhor do que essa sensação de rotina interrompida, de corpo programado para algo que a realidade lhe nega. O adeus, nesses casos, insiste em parecer mais difícil do que o normal.

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Dias antes, quando soube que seu contrato não seria renovado, Romero já havia dado pistas de que essa despedida seria diferente. Portanto, no vídeo postado em suas redes sociais, reuniu imagens de uma longa trajetória com a camisa alvinegra, acompanhadas por palavras de agradecimento, respeito e compreensão. Não houve cobrança nem mágoa pública. Houve entendimento — da alegria e da dor que fazem parte do pacote de ser Corinthians.

Ao lado da mulher e filhos, Romero posa com a taça da Copa do Brasil, um de seus sete títulos conquistados / Corinthians

Romero deixa o clube, mas não parece pronto para deixar a vida que construiu ali. Ainda é estranho não seguir para os treinos, não pensar em concentração, viagem, jogo. De modo que é difícil aceitar o rompimento quando a relação foi de entrega diária. Um caso de identidade.

Corinthians agradece à dedicação de Romero em post do X do clube: amor sem qualquer mágoa / Reprodução X

E talvez seja exatamente por isso que exista tanto respeito entre Romero e a torcida corintiana. Porque o Corinthians nunca exigiu apenas talento. Exigiu entendimento. Exigiu disposição emocional para lidar com a cobrança permanente, com o julgamento rápido, com a instabilidade que transforma heróis em vilões a cada três dias, entre uma partida e outra.

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O próprio Romero resumiu isso com clareza: para jogar no Corinthians, é preciso entender o Corinthians. O emocional pesa. O mental, muitas vezes, é o maior desafio. Não dá para relaxar nos bons momentos nem se esconder nos ruins. Tudo é intenso, o tempo todo. Aliás, ele aprendeu isso na prática — e ficou.

Garra e entrega nunca faltaram

Romero nunca foi craque e nunca precisou ser. Seu lugar na história foi construído pela entrega, pela insistência, pela recusa em se omitir. Características que o torcedor corintiano sempre reconheceu como legítimas. Não por acaso, são esses jogadores que permanecem quando o resto passa.

Entre duas passagens pelo time paulista, Romero fez 377 jogos com 67 gols: entrou para a história / Corinthians

O ciclo se encerra agora, oficialmente. Mas o vínculo não. Quem acorda achando que ainda vai para o CT não saiu de verdade. Apenas começou a aprender, aos poucos, como é viver depois de ter sido Corinthians todos os dias.

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