A Federação Paulista tem dois problemas para resolver no futebol do Estado. Um deles diz respeito ao vaivém dos clubes da Copinha. O trágico acidente de ônibus com a delegação do Águia de Marabá em seu retorno ao Pará, que vitimou o preparador físico Hecton Alves e o técnico Ronan Tyezer, apresentou uma situação que merece atenção e solução. Não se pode normalizar duas mortes e feridos.
Horas de estrada em rodovias perigosas, com viagens cansativas, deveriam ser repensadas pela entidade. A solução é ter um avião próprio ou alugado neste período para buscar e levar os times em distâncias acima de quilometragem previamente definida. Ou pagar passagens aéreas. Clubes que estiverem longe de suas sedes em mais de 500 quilômetros poderiam se valer desse “serviço”. Dessa forma, acidente como o que ocorreu com o time de Marabá poderia ser evitado. Hector deixou uma mulher e dois filhos. Não voltou para casa conforme o prometido.

O segundo problema do presidente Reinaldo Carneiro Bastos é com o Paulistão. As primeiras rodadas da competição são disputadas por times mistos das quatro grandes equipes do Estado (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo). É um problema sem fim, mas quando o torneio era maior, mais comprido, havia mais paciência dos torcedores. Jogar dessa forma expõe os clubes. O Palmeiras chega nesta terça à metade da primeira fase e já pode encaminhar a sua classificação. O São Paulo está fora do G8.
Chiadeira moderada
Mas neste ano não houve sequer tempo de pré-temporada. Os times treinaram quatro dias e já fizeram a primeira partida na competição. Não há uma grande chiadeira, mas o incômodo dos treinadores existe. Abel, Dorival e Crespo têm reclamado moderadamente. Estão normalizando o que não deveria. O técnico do Palmeiras chegou a pedir uma substituição a mais nos jogos, de cinco para seis. Mas isso não resolve.

O Paulistão deveria começar ao menos duas semanas depois de os clubes voltarem das férias. Esse tempo nem é o ideal, mas há um prazo para recuperar o condicionamento dos jogadores e ensaiar alguma coisa. Nem isso os times tiveram nesta edição. O problema é que o futebol faz “cada vez mais falta” ao torcedor. A febre pela bola é grande. Ninguém quer esperar tanto tempo para ver novamente o seu time em campo.
Um tiro no pé do Estadual
O desafio está lançado com as mudanças no calendário nacional feitas pela CBF. Os Estaduais estão menores, com menos datas, mas eles continuam “desperdiçando” as primeiras rodadas com times mistos e futebol fraco. Um tiro no pé. A FPF precisa repensar essa condição.
Não dá mais para colocar todos os times na mesma cesta e apresentar as mesmas regras a eles. Talvez os jogos possam ter datas e tempo diferentes. Veja o caso do Corinthians, que fez a sua última partida no ano passado no dia 21 de dezembro. Ele poderia ter começado o Paulistão na terceira rodada. Assim, Dorival teria mais tempo e condição de igualdade com quem entrou de férias mais cedo e voltou antes do que os concorrentes. É preciso ter ideias para que os times entrem em campo fortes e mais competitivos.
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Não é uma decisão apenas da Federação Paulista. Deve ser também dos clubes. Sem isso, o Estadual de São Paulo corre risco de ser mais marketing do que futebol, quando deveria ser o contrário. Dadas as datas e as condições, é preciso repensar o que fazer com esses ovos. Olhar a temporada e não somente a disputa. Negociar com entidades e TVs e até com a Conmebol… O que tem de prevalecer é o bom futebol. E só há bom futebol com equipes treinadas, descansadas e com mais tempo para se preparar.





