A ausência de Neymar no clássico desta quarta-feira, na Vila Belmiro, entre Santos e São Paulo, não foi uma decepção só para a torcida. A frustração certamente pesa mais para o próprio jogador. Afinal, é mais uma etapa perdida na corrida contra o tempo que o meia-atacante trava para ainda se colocar como candidato real a uma vaga na seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026. Esperava-se que ele pudesse ao menos atuar por alguns minutos, iniciando a retomada do ritmo competitivo. Não aconteceu. Neymar nem sequer foi relacionado por Juan Pablo Vojvoda.

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Cada jogo do Santos que passa sem Neymar em campo reduz suas chances de reinserção no dia a dia dos jogadores que hoje disputam espaço na seleção de Carlo Ancelotti. O debate não passa pela qualidade técnica — essa está fora de questão há anos —, mas pela condição física e pela capacidade de sustentar uma sequência mínima de partidas em alto nível. É isso que está em avaliação.

Neymar participou do último treino antes do clássico do Santos diante do São Paulo, mas não foi liberado / Santos

Neymar corre para tentar estar apto a disputar aquela que, muito provavelmente, será sua última Copa do Mundo. Seu último suspiro com a camisa da seleção. E, consequentemente, sua derradeira oportunidade de conquistar um título mundial. O problema é que essa corrida não se vence só pelo desejo de estar na Copa. Ela exige mais do craque.

Ancelotti espera

A postura de Ancelotti sobre o tema ajuda a manter o debate em aberto. Sempre que questionado sobre Neymar, o treinador adota um tom polido e evasivo. Evita respostas contundentes, não emite um juízo definitivo sobre o futuro do craque na seleção. Ao não fechar a porta, mantém viva a esperança do próprio jogador de que ainda há uma fresta de luz no fim do túnel. Mas o tempo segue correndo, e as probabilidades diminuindo. Só não vê quem não quer.

Incluindo o clássico desta semana, Neymar tinha, em tese, cinco jogos pelo Santos antes da próxima convocação. Agora são quatro. E nada indica que esse número seja suficiente para que ele consiga demonstrar, em tão pouco tempo, que está fisicamente pronto para integrar o ambiente competitivo que Ancelotti começa a estruturar visando a Copa.

Neymar em partida pela seleção brasileira antes do ciclo de Carlo Ancelotti: atacante quer jogar a Copa / CBF

No último sábado, Neymar completou um ano do retorno ao Santos. A volta foi marcada por festa, emoção e simbolismo. A Vila Belmiro cheia, com shows, um ídolo visivelmente emocionado e a promessa de um recomeço. Dentro de campo, porém, a realidade foi bem menos generosa. Foram apenas 28 partidas disputadas, 11 gols marcados e uma sequência constantemente interrompida por lesões. O plano de voltar à seleção ficou, até aqui, frustrado.

Zero jogo em 2026

A artroscopia no joelho esquerdo na virada do ano adiou ainda mais esse processo. Neymar não estreou sequer em 2026. O sonho da Copa do Mundo permanece, mas está cada vez mais condicionado à resposta do corpo. A seleção de Ancelotti fará amistosos em março, nos Estados Unidos, contra França e Croácia. Há ainda a expectativa de partidas contra Panamá e Egito antes do Mundial. Esses compromissos funcionam como momentos-chave de observação. Estar fora deles pesa — e pesa muito.

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O Brasil está no Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Um grupo que exige jogadores disponíveis, competitivos e capazes de sustentar uma campanha longa. Nesse cenário, o passado de Neymar já não basta como argumento.

Fim da linha?

A ausência no clássico da Vila Belmiro não encerra a discussão sobre seu futuro na seleção, mas é mais um alerta. Cada jogo sem Neymar é uma etapa queimada nessa corrida contra o tempo. A questão central já não é se ele merece disputar uma última Copa pelo que representa. A pergunta é se conseguirá chegar a tempo de merecê-la pelo que consegue entregar agora. Só ele poderá dar essa resposta.

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