O empate em 1 a 1 entre Santos e São Paulo, na noite desta quarta-feira, pela segunda rodada do Brasileirão, até pode ser considerado justo pelo equilíbrio do jogo. Mas justiça esportiva não acalma quem carrega sete partidas sem vitória e dois anos recentes de trauma, rebaixamento e desconfiança.

Siga The Football

Para a torcida do Santos, o ponto somado contra um rival histórico, vale pouco. Soa quase como derrota. O campeonato mal começou, é verdade, mas a sensação de repetição — de um roteiro já visto — potencializa a agonia santista. A estreia com derrota para a Chapecoense fora de casa transformou o clássico em chance de reabilitação. E a reabilitação não veio.

Calleri voltou a marcar pelo São Paulo diante do Santos, no clássico pelo Brasileirão / São Paulo FC

Resposta e o gol de ‘alívio’

O time até respondeu em campo. Pressionado por resultados e por um ambiente hostil, o Santos mostrou mais disposição, mais entrega e, sobretudo, um comportamento anímico distante do que havia apresentado no sábado, contra esse mesmo São Paulo, na derrota por 2 a 0 pelo Paulistão. Houve evolução de um jogo para o outro, mas isso não foi suficiente para impedir mais uma frustração.

O primeiro tempo resumiu bem essa contradição. O São Paulo, melhor organizado, encontrou espaços principalmente pelos lados e criou as chances mais claras, obrigando o Santos a se fechar e a sofrer para romper linhas. Ainda assim, foi o Peixe quem saiu na frente — quase por acaso, quase por ironia. Aos 50 minutos, num chute despretensioso de Adonis Frías da intermediária, a bola saiu venenosa, Rafael rebateu, e Zé Rafael apareceu livre para finalizar quase à queima-roupa. Um gol que caiu do céu para um time que precisava desesperadamente de algo a que se agarrar.

Nas arquibancadas, o silêncio dizia mais do que qualquer vaia. A torcida organizada protestou e passou todo o primeiro tempo sem cantar. Era menos indiferença e mais cansaço acumulado.

Zé Rafael foi o autor do gol que abriu o placar para o Santos no clássíco com o São Paulo na Vila / Santos FC

Limitações técnicas e a reação tricolor

Zé Rafael reconheceu a mudança de postura, mas também escancarou o limite atual da equipe. “Com relação ao último jogo, a postura foi diferente. Agressividade dentro de campo. Tecnicamente e taticamente não têm sido os nossos melhores jogos. Não está faltando vontade, entrega, mas quando a fase não está boa, tudo fica mais difícil.” A frase resume o Santos de hoje: esforço não falta, o que faltam são soluções.

Na segunda etapa, o São Paulo aceitou ter menos a bola, marcou em linha mais baixa, mas seguiu perigoso. Tapia, numa bela tabela com Enzo, teve a melhor chance ao chutar da entrada da pequena área. Do outro lado, o Santos manteve a intensidade, tentou empurrar o rival, mas esbarrou nas próprias limitações.

Crespo mudou o andamento do jogo com três alterações esperadas. A entrada de Lucas, Luciano e Marcos Antônio deu outro peso ao São Paulo. E foi justamente dessa melhora que nasceu o empate. Calleri, oportunista e fiel à própria história contra o Santos, marcou e recolocou o Tricolor no jogo.

Saldo final e protesto

Para o São Paulo, o resultado é aceitável. Jogar na Vila nunca é simples, ainda mais poupando peças no início. “A gente fez um bom primeiro tempo, falhamos na pressão no lance do gol deles. Depois conseguimos o empate justo. Um ponto importante aqui, num campo difícil para qualquer adversário”, avaliou Calleri, feliz por voltar a marcar.

SIGA THE FOOTBALL
Instagram
Facebook
Linkedin
TikTok
Facebook

Já para o Santos, o empate amplia a ferida. São sete jogos sem vitória numa temporada que mal começou, mas que já pesa como se estivesse em junho. A equipe jogou melhor, mostrou evolução emocional, foi mais competitiva — e mesmo assim saiu de campo sob protesto. “Hoje melhoramos, pena não sair com a vitória. Mas a torcida tem o direito de protestar”, disse Gabigol, realista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui