Dérbi se joga, não se explica. Sempre que Corinthians e Palmeiras se enfrentam, a história termina com heróis, vilões e discussões que vão se prolongar por muitos dias. Na maioria das vezes, o jogo se revolve nos detalhes, exatamente como aconteceu na noite deste domingo. Em tese, o jogo valia pouco para a sequência do Paulistão, mas no fim acabou ganhando outra proporção.
Em plena Neo Química Arena lotada apenas por corintianos, o Palmeiras venceu o Corinthians por 1 a 0 numa noite em que foi dominado durante boa parte do jogo, mas nunca deixou de estar inteiro dentro dele. Foi uma vitória de um time resiliente, concentrado e fiel às suas convicções, que soube esperar o momento certo para decidir.

O Corinthians teve a bola na maior parte do tempo. Começou o jogo com marcação alta e muita intensidade. Assim, ocupou o campo de ataque e empurrou o Palmeiras para trás em vários momentos. Criou as melhores chances e deu a sensação constante de que o gol era questão de tempo. Mas o Verdão se manteve organizado, fechado, atento a cada detalhe. Não se desesperou, não se desfigurou e entendeu o tipo de jogo que o dérbi estava pedindo.
Pênalti de Carlos Miguel
Nesse cenário, Carlos Miguel foi o grande personagem do jogo. Ex-Corinthians, o goleiro voltou à Neo Química Arena para ser o melhor em campo vestindo a camisa do rival. Fez defesas decisivas nos momentos de maior pressão do time da casa e sustentou o Palmeiras vivo quando o jogo parecia inclinar de vez para o lado corintiano.

O Corinthians perdeu a grande chance de abrir o placar num pênalti inexistente marcado pelo árbitro. Ironicamente, uma falta do próprio Carlos Miguel em cima do zagueiro Gustavo Henrique. O lance poderia ter mudado completamente a história do jogo. Mas, por ironia, a fábrica de heróis e vilões do dérbi não perdoou o holandês Memphis Depay, que errou a cobrança e chutou para fora.
A cavadinha de Andreas
Mas, antes da cobrança, Andreas Pereira cavou discretamente um buraco na marca da cal com as chuteiras, sem que ninguém percebesse. Ali estava armada a armadilha. Na hora do chute, Memphis escorregou, isolou a bola pela linha de fundo e deixou escapar a oportunidade que talvez definisse outro final para aquela noite.
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Como não matou o jogo quando teve as chances, o Corinthians foi castigado no fim. E do jeito mais cruel possível. Num erro de saída de bola, ofereceu exatamente o lance que o Palmeiras esperava para decidir o clássico à sua maneira, com a letalidade já conhecida. Garro falhou, o Palmeiras retomou a posse, Maurício chutou cruzado, Hugo rebateu e Flaco López apareceu para aproveitar o rebote e marcar o gol que incendiou o dérbi.
O pau comeu
Na comemoração, o argentino chutou a bandeira do Corinthians no pau do escanteio e o clima pegou fogo. Vieram empurrões, discussões e confusão, como costuma acontecer quando um clássico ultrapassa o limite dos 90 minutos. Porque dérbi nunca termina quando o árbitro apita o fim. Depois disso, o Corinthians foi para o tudo ou nada em busca do empate. Mas o Palmeiras soube parar o jogo, esfriar os ânimos e controlar o resultado até o fim. Não foi a vitória de quem dominou. Foi a vitória de quem resistiu, acreditou e foi premiado no momento decisivo.
Um enredo típico de dérbi. Com herói improvável, vilão circunstancial e marcas que vão durar bem mais do que uma rodada.





